"Crianças gostam de fazer perguntas sobre tudo. Mas nem todas as respostas cabem num adulto". (Arnaldo Antunes)
"A vida é uma aventura aberta, exposta. Não protejam as crianças. Fortifiquem-nas interiormente para que brinquem bem com qualquer espécie de brinquedo." Emmanuel Mounier
domingo, 24 de julho de 2011
sexta-feira, 15 de julho de 2011
Ilha das Peças
Gente, tava mexendo aqui nas gavetas e encontrei esse álbum, lá de 2008 (como o Davi cresceu nesse meio tempo!) de uma trip que fizemos para a Ilha das Peças. Foi muito legal, caminhamos MUITO, uns 14 quilômetros só pra ir, partindo da vila de pescadores, já do lado de lá. É que a gente chega de carro em Paranaguá, de lá pega uma barca até a vila e da vila sai andando. De cria mesmo era o Dá, que tinha 9 anos e o Caio, 11. A Ilha fica de frente pra Ilha do Mel, mas é bem bem deserta, muito diferente. Fomos até a ponta, seguindo pela areia reto toda vida, acampamos e no outro dia voltamos. No primeiro dia ficamos na vila, muito roots, com poucos nativos morando, mas um restaurantinho que tinha um peixe frito inesquecível. Coloquei o álbum inteiro porque na trip todo mundo vira cria.
terça-feira, 28 de junho de 2011
Cria na Estrada (parte II)
"Parte II" porque é a segunda vez que a nossa amiga Thais Andrade tá contribuindo aqui no Cria. A primeira foi no início da longa viagem que ela e o marido estão fazendo com o filhote-bebê-mais-feliz-do-mundo Rudrá (hoje completando dez meses!).
A Thati, como é carinhosamente chamada pelos amigos, nesse meio tempo lançou um blog muito legal de coisas-essenciais-e-auto-conhecer. Visita aqui!
"Era uma vez uma mãe, um pai e um bebê de 4 meses, que mesmo taxados de loucos, resolveram viajar pelo mundo para intensificar tanto a experiência de vida profissional quanto e principalmente a experiência de vida pessoal, em família, se auto-descobrindo em seus novos papéis e criando sua cria sem "palpites e pitacos" não solicitados. Há alguns meses, escrevi aqui como tudo começou; mas como toda história tem um começo, um meio e um fim, e nós estamos no meio dela, aproveito para compartilhar mais algumas coisinhas...
A MELHOR COISA DO MUNDO É VIAJAR COM BEBÊ!!!
A experiência que estamos tendo é que ao invés de dificultar, tudo fica mais fácil... Qualquer coração se amolece ao ver uma criaturinha tão fofa quanto um bebê, as pessoas puxam papo e nos favorecem sem nem se quer termos pedido! O mundo te olha com outros olhos quando se está em família, bem diferente do olhar direcionado a um mochileiro, por exemplo.
Uma dica interessante durante viagens de avião: A primeira fileira, que é a mais espaçosa, é preferencial para mães com bebês, idosos, etc., mas está SEMPRE ocupada por pessoas sem preferência. Então, o máximo que irão fazer por vocês é colocar a mãe sozinha com seu filho no colo enquanto seu marido fica em outra cadeira distante. O que vocês devem fazer é não aceitar e pedir que eles lhes dêem ou bloqueiem um terceiro assento. Isso acontece e é bem mais prático, pois assim é possível colocar o bebê-conforto neste terceiro assento e acomodar sua cria quando ela dormir. Desta forma, nós pais podemos também dar uma cochiladinha (que é coisa rara nestes tempos...rsrs) e não precisamos pagar um absurdo para ter direito a um berço - que inclusive já deveria estar incluso na taxa que é paga na passagem do bebê!
Para famílias que também são práticas e não gostam de carregar muita tralha:
1- Não é preciso levar berço. O que temos feito é uma caminha improvisada que fica entre nós: usamos um casaco grande e o próprio cobertor dele dobrado como base; e embaixo deles colocamos rolinhos de camisetas na cabeça e nas laterais para levantar as bordas, ou seja, usamos nossas próprias roupas para acomodá-lo.
2- Para ele brincar no chão usamos nossos mats de yoga.
3- Os brinquedos criamos com o que temos disponível, como: frascos de remédios, pacotes de bolacha, garrafas de água... Coisas com formatos diferentes, que fazem barulho e que tenham bastante colorido. Nosso pequeno a-do-ra... Nessa fase, tudo é brinquedo!
4- Se você amamenta e está começando a introduzir os alimentos: mamadeira não é preciso e inclusive nem indicada, além de ser acompanhada de "um monte de tralha", ela libera uma substância chamada bisfenol que é altamente tóxica, e assim como a chupeta prejudica na dentição e arcada dentária. O indicado, quando se quer dar sucos de frutas ou água, é usar um copinho pequeno.
O indispensável para se levar:
1-Máquina fotográfica para filmar e registrar os momentos singulares que passam rápido como um flash;
2-Sling, para deixar a cria bem pertinho e segura;
3- Bebê-conforto para acomodá-la em locais como avião, carro, entre outros meios de transporte que por ventura podem vir a ser utilizados (inclusive nos carrinhos dos aeroportos, rsrs);
4- Muita energia, amor e doação!
Compartilho então algumas fotos dos melhores momentos
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| Italia 0 graus (Rudra com 4 meses) |
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| Com nosso Guru Swami Dayananda na India (6 meses) |
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| Pronto para o surf no Ganges (6 meses e meio) |
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| Bagunçando no avião (7 meses e meio) |
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| Família em Ballangan/ Bali (7 meses e meio) |
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| Aulinhas de natação com mamãe (7 meses e meio) |
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| lingando (7 meses e meio) |
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Rumo ao Rio!
Foto Caroline Cezar
Oba! Ganhamos a promo do blog Mães à Obra e levamos três passagens pro Rio! Dá uma olhada no espaço das colegas jornalistas e como rolou a escolha aqui ó. Compartilhamos o texto que foi escolhido, "Esvaziando a mochilinha - uma aventura com crianças na Patagônia Argentina". (PS: dedico esse prêmio à minha colega de blog e amiga de vida Luciana Zonta, que foi a principal incentivadora na participação. Obrigada Lú, foi graças a ti!)
"Esvaziando a mochilinha
Não sei se por afinidade, educação, genética ou sorte, nós quatro gostamos de praia, mato, cachoeira, montanha ou qualquer outra paisagem que possibilite um contato maior com a natureza quando optamos por sair de casa. Centros urbanos não nos atraem como destino principal, gasta-se muito, contempla-se pouco. Nossos filhos, a nossas vistas, parecem crescer muito rápido, então decidimos que estava na hora de uma esticada maior, para que eles pudessem sentir na pele o que é viajar de verdade. Sara tem 5, Davi tem 11.
Não sei se por afinidade, educação, genética ou sorte, nós quatro gostamos de praia, mato, cachoeira, montanha ou qualquer outra paisagem que possibilite um contato maior com a natureza quando optamos por sair de casa. Centros urbanos não nos atraem como destino principal, gasta-se muito, contempla-se pouco. Nossos filhos, a nossas vistas, parecem crescer muito rápido, então decidimos que estava na hora de uma esticada maior, para que eles pudessem sentir na pele o que é viajar de verdade. Sara tem 5, Davi tem 11.
Nosso destino era a Patagônia Argentina, por um mês. Pedimos a amigos que cuidassem da casa e dos cachorros e colocamos nossa outra casa nas costas: estava tudo lá, em duas mochilonas e duas mochilinhas: teto, camas, cozinha, comida, roupas quentes e de banho, livros, equipamentos. Quase não dá para acreditar que é possível viver carregando tudo que é preciso, nem mais nem menos. O roteiro não estava muito determinado para ficarmos livres para adaptar conforme nossa vontade.
Dos 28 dias, dormimos 5 ou 6 em camas de hostels. Nos outros, dividimos a barraca, numa convivência tão estreita que nunca tínhamos experimentado antes. O frio noturno possibilitava o aconchego e tudo correu sem problemas. Fizemos Floripa – Buenos Aires de avião e depois ônibus e pernas pra que te quero. O “cochecama” Buenos Aires-Bariloche, para percorrer a longa viagem de 22 horas, é muito confortável. Para se hospedar na cidade é bom reservar antes, mas tem campings muito charmosos em vilas ao redor da cidade, em torno de lagos. Muitas famílias acampam na Argentina. É barato, tranquilo e sai completamente do lugar comum. Água quente em qualquer torneira garante o conforto, água corrente nos ouvidos facilita o relaxamento. Somado a pães caseiros, geléias naturais, e outras comidinhas pouco industrializadas, bem fáceis de encontrar por aqueles lados, fica um luxo “campeiro”. Da melhor qualidade.
Naquela região de Bariloche, florida que só, fomos além: acompanhados de amigos escaladores passamos uma semana em cima da montanha, ao redor do Refúgio Emílio Frey, um parque de diversões a céu aberto para todas as idades, mas não qualquer disposição. Começando pelo acesso, uma trilha com cerca de 10 quilômetros e ascensão bastante exigente. Levamos sete horas para subir, com paradas para banho gelado de rio e lanchinhos, e correu tudo mais que bem. As mochilas foram levadas por cavalos. O tempo bom facilitou a vida e lá em cima, durante esses poucos e intensos dias, exercemos toda delícia de ser criança, interagindo com lagos, gelo, montanha, rochas, bosques e partilha: de tempo, comida, espaço e humores.
Com a ajuda dos meninos, bastantes experientes na Patagônia, montamos um acampamento isolado mas com estrutura de primeira. As crianças, que já têm bastante contato com esse tipo de programa, estavam muito à vontade e chamavam atenção por onde passavam. Esse passeio não é recomendado para quem não tem experiência em montanha, e é preciso estar preparado para qualquer imprevisto, como uma mudança de tempo abrupta. Não é muito comum encontrar brasileiros com crianças montanha acima, mas os europeus têm muito essa cultura, carregam os filhos para qualquer lado, é natural.
Não é possível descrever em tão poucas palavras a felicidade desse crescimento compartilhado, mas se pudéssemos dar uma dica de viagem seria: mudança de perspectiva. Não adianta sair, se levarmos tudo junto. Precisamos estar abertos a experimentar o novo e testar nossos limites, nossa capacidade de riso e de improviso. Os filhos são ótimos parceiros para isso, ainda não criaram tantos padrões de comportamento. A maior prova que dá certo é o brilho no olhar. E isso não é frase de efeito nem poesia barata."
segunda-feira, 9 de maio de 2011
terça-feira, 26 de abril de 2011
Valores
Ela chegou na praia, e do auge dos seus cinco anos ficou franzidamente incomodada com o lixo que encontrou ali, bem no seu exato lugar de sentar. Não reclamou da falta de. Educação, lixeiras, bom senso.
Seu incômodo se deu simplesmente porque ela VIU aquilo ali.
Não havia outra coisa a fazer senão juntar, e andar alguns metros até encontrar um destino correto.
domingo, 24 de abril de 2011
Feliz todo-dia!
Um banho de sol
Um dia preguiçoso
Dar-se um presente "inesperado"
Receber (e oferecer) um abraço apertado
Toda hora é hora de reinventar
E re-nascer
Dentro e fora de nós mesmos.
Feliz Páscoa
Diariamente!
Um dia preguiçoso
Dar-se um presente "inesperado"
Receber (e oferecer) um abraço apertado
Toda hora é hora de reinventar
E re-nascer
Dentro e fora de nós mesmos.
Feliz Páscoa
Diariamente!
terça-feira, 19 de abril de 2011
Fruta do pé!
"A gente é do tempo que criança se criava na rua e na natureza subindo em árvores, comendo fruta do pé, e é assim que graças ao lugar onde eu tô morando posso educar minha pequena". Dimas Campos
Colaboração do nosso amigo Dimas Campos, especialmente para o crianaestrada!
terça-feira, 12 de abril de 2011
Lara e o caderninho
* Por Rodrigo Stüpp
A Lara e o Davi dificilmente vão se conhecer pessoalmente. Porque ela é uns oito anos mais velha do que ele. Porque ela é espanhola e vive na Europa e ele no Brasil. E porque eu,burraldo, não peguei um contato sequer do pai dela, um francês cabeça aberta que deu um presentão de aniversário àquela loirinha sorridente.
Lara completou oito anos, e eles foram viajar um mês de trem pela Europa. Nos encontramos na cabine que dividiríamos com um chinês e um coreano. Foi em um trem de Munique, no Sul da Alemanha, até Veneza, na Itália, no meu mochilão de abril de 2010.
Naquele aperto de dois triliches todos foram muito simpáticos. A Lara tinha aquele olhar de criança esperta, curiosa. Quando entrei, estatelou e olhou para o pai, que disse em espanhol
- Muy grande, sí!
Lara não se intimidou com meus 1,90m. Eu sorrii para eles, larguei as minhas coisas e disse que a cama do meu lado seria de um amigo meu, que não conseguiu viajar. Ela poderia escolher a que preferisse.
A espanholinha não deu muita bola. Quando sentei, tirou o caderninho, olhou para o pai, como quem pedia aprovação. Ele só acenou que sim com a cabeça.
Sentou do meu lado, e num inglês perfeito, me perguntou se eu poderia, por gentileza, ajudá-la com seu caderninho de línguas.
Funcionava assim: cada vez que encontrava uma pessoa que de um lugar diferente, que ainda não tinha encontrado, pedia para que escrevesse, de zero a dez, os números na minha língua. A pronúncia também era escrita.
Lara repetiu fácil, e se animou com a semelhança com o espanhol. Abaixo, deixei um recado, em português e inglês. Não me lembro exatamente das palavras, mas era algo com esse espírito de viajar, conhecer, descobrir e se encantar.
Ela ainda me perguntou algumas palavras em português. Ela conhecia, claro, mas não compreendia como alguém de tão longe de Portugal também falava.
Pensei o óbvio: que coisa boa vai ser conviver com essa menina quando ela decidir sozinha o que quer. Experiências de vida, reflexos, visões de mundo.
Se eu tiver grana, e se eu tiver filho, desculpe amigo espanhol, mas vou querer fazer igual!
* O autor é jornalista, mochileiro convicto e amigo do Crianaestrada
domingo, 10 de abril de 2011
Não é surreal???
Aprender a andar de bicicleta, amarrar os cadarços, nadar. Todas essas atividades importantes na infância perderam espaço para a tecnologia, segundo uma pesquisa feita em sete países. O estudo mostra que crianças sabem mais como jogar no computador, usar um smartphone (celular inteligente) ou acessar um navegador de internet do que realizar atividades simples do cotidiano.
O levantamento, feito pela empresa de segurança virtual AVG, indica que 58% das crianças entre dois e cinco anos de idade sabem como se divertir com um jogo básico de computador – em países como Reino Unido e França, esse índice supera os 70%. Em comparação, apenas 43% dos pequenos nessa faixa etária sabem andar de bicicleta.
Gente, eu tô ficando velha ou isso é, de fato, surreal??? Pelamor, vamos andar de bicicleta, levar ao parque, à praia, à montanha. Vamos tomar vento na cara, tomar banho de chuva, de mar, de cachoeira. Vamos ficar corados do sol. Vamos ser felizes também ao ar livre?! CRIANAESTRADA já!
| Ao ar livre |
sábado, 2 de abril de 2011
argentina feelings
Passamos um mês viajando de mochila pela Argentina. Surpreendentemente ainda não estão aqui as fotos e relatos de viagem. Viagem demora pra assentar em mim. Em nós. E parece que esse tempo quieto é necessário para absorver a tanta informação da forma mais profunda possível. Devagarinho vamos trazendo um pouco da densa experiência que vivemos naqueles 30 dias, nós quatro, em família, tendo a barraca como a casa e a casa nas costas. Estava tudo ali, em duas mochilonas e duas mochilinhas: nossas quatro "camas" e cobertas; nosso teto; nossa cozinha com jogo de panelas e dois "fogões"; nossas roupas, quentes, frias, de banho; nossos livros e equipamentos, nossa pouca expectativa e delineamento da rota. Todo nosso amor estava ali, e por isso foi tão lá longe no peito. Não lembro de outro período em que estivéssemos convivendo de forma tão estreita durante tanto tempo. Aprender a dividir espaço, medos, confiança, humor e comida. Aprender a dividir a vida. Eis a grande tarefa que temos por aqui.
Compartilho a Especial que escrevi para o Página3, jornal de Balneário Camboriú. Clica Aqui!
Compartilho a Especial que escrevi para o Página3, jornal de Balneário Camboriú. Clica Aqui!
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| Davizoca e Sara Lee, Carol e Denis. Epuyén, Argentina. 2011, janeiro. |
quarta-feira, 30 de março de 2011
Guia prático de crianaestrada
Vou logo dizendo que adoramos viajar de carro com a cria e geralmente viajamos para bem longe. Quem costuma fazer a mesma coisa sabe que um dos principais desafios é manter o pequeno ser humano entretido por mais de uma, duas, três, quatro horas consecutivas, sem querer sair da cadeirinha. É claro que as paradas são fundamentais para trocar a fralda, dar uma esticada básica nas pernas, respirar o ar da rua.
Uma dica valiosa para papis e mamis viajantes é sair bem cedo pela manhã, dando um gás inicial na viagem com o bebê ainda dormindo. Mas quando ele acordar é bom estar preparado para curtir a viagem sem estresse ao lado dele.
Como viajamos sempre com o Davi desde que ele tinha poucos meses de vida, eu e o Adão viramos craques neste negócio. Temos tantas “técnicas infalíveis” que poderíamos escrever o livro “Como viajar de carro com bebês e não enlouquecer”. Ficaríamos ricos!!!
Aqui vão algumas técnicas que deram certo na última viagem para o Rio Grande do Sul, quase lááááá na fronteira com o Uruguai, a quase 1 mil quilômetros de casa (ui!).
E pé na estrada!!!
sexta-feira, 4 de março de 2011
Carta a Davi (2)
Davi, meu filho, luz dos meus dias, faz dois anos que escrevi a primeira carta a você, ainda dentro da barriga. É esquisito pensar que você já esteve aqui dentro. Agora à noite, antes de você dormir, eu alisava os seus cabelos, olhava suas perninhas compridas e quase duvidava da mágica louca da vida que faz os bebês crescerem e se desenvolverem com a rapidez de um raio.
Sim, neste dia 5 de março é o seu aniversário. Mas não só o seu. É também o meu e o do seu pai. Há dois anos nasceram junto com você um pai e uma mãe de primeira viagem, inexperientes, sedentos por cheirinho e chorinho de bebê em casa, ansiosos por ensinar e aprender na mesma medida. E vou ainda mais longe. Nasceram e renasceram também avós, titios e primos (de sangue e emprestados), que durante nove meses acompanharam cada movimento seu no ultrassom.
Sabe Davi, somente depois que um bebê nasce é que a gente entende o tamanho da responsabilidade, da delicadeza, da leveza e da sabedoria que é preciso ter diante da vida. É lindo e também difícil. É belo, louco, inspirador, cansativo, maravilhoso, renovador, feliz.
No inicio desta semana, fosses pela primeira vez para a escola. Foi um dia bem especial. Entrando porta adentro com você na escolinha, me dei conta mais uma vez do ciclo belo da vida. Esta vida que se repete em capítulos de um longa-metragem. Lembrei do meu primeiro dia de maternal, a vovó levando a mamãe de mãos dadas para a sala de aula cheia de crianças ansiosas e assustadas. Te entreguei para a professora com a garganta seca, atônita e emocionada pelo início da sua caminhada. Sim, ali começava uma nova e longa caminhada.
Com 24 meses completos, você é um menino doce, curioso, sorridente, esperto, teimoso, determinado. Como diz a tia Lili, é muito melhor do que no meu melhor sonho.
Feliz 2 anos de vida! Feliz mundo novo que virá. Feliz aprendizados, feliz ensinamentos, feliz reflexões, feliz amizades duradouras, feliz banhos de chuva, feliz primeiro amor, feliz decepções, feliz decisões, feliz descobertas por este mundão de Deus afora.
Que a sua vida seja inteira. E nada mais!
terça-feira, 1 de março de 2011
E lá foi ele...
E lá foi ele, prestes a completar dois anos de vida, para seu primeiro contato realista com o mundo coletivo. Depois de quase 24 meses sob nossos cuidados, Davi vestiu o uniforme e disparou para o “mundo real”. Uma sala de aula, 16 crianças, algumas regras, convivência, rotina, diferenças. Logo de cara, arrancou o brinquedo de um colega. Tranqüilo, este deixou passar. Certamente, mas mais à frente, Davi deve ter encontrado outro bebê (menos paciente) com quem teve que dialogar para um entendimento mútuo.
E isto é ÓTIMO!
Sim, nosso bebê está crescendo e (graças a Deus) descobrindo que o mundo é bem maior do que o umbigo imaginário chamado casa + papai + mamãe. Na escola, Davi terá que buscar seus próprios argumentos e limites, aprender o que gosta, o que não gosta, que existe todo tipo de gosto, gente, harmonia e sinfonia.
E viva a vida em comunidade.
E viva a escola.
Este é só o começo da estrada.
;-)
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Literalmente crianaestrada!
Texto escrito pela nossa nossa amiga Thais Andrade a convite do CRIAnaestrada, lá por dezembro... A essas alturas, os três estão em plena trip! Você tem alguma experiência crianaestrada? Divida aqui!
Literalmente crianaestrada
Thais Andrade
COMO TUDO COMEÇOU
Faltava um ano para me formar em medicina Ayurveda. Desde que começara o curso, tinha
decidido ir à Índia para fazer uma especialização ao final do curso, junto com o grupo formado
aqui no Brasil. Então, foi ai que a inesperadíssima notícia veio: “estou grávida!!!”
Tinha apenas 20 anos, eu e meu companheiro estávamos efetivamente morando juntos há um
mês (ou seja, praticamente no dia que ele se mudou eu engravidei) e eu tinha muitas metas já
estabelecidas para aquele ano... Uma delas era a tão sonhada viagem à Índia.
E agora, o que fazer? Desistir de tudo? A vida acabou? Nossa, meu mundo desmoronou...
Enfim, muitas coisas aconteceram neste meio tempo... Dali um mês me recuperei do susto,
depois nos casamos, nos mudamos, a vida continuou... Mas eu não conseguia desistir da
idéia da viagem, na verdade, essa coisa de desistir dos sonhos nunca foi comigo... E aquele
era um sonho muito importante, cultivado por mais de dois anos! Então, silenciosamente, fui
trocando idéias com alguns médicos, com meus professores, e claro, com outras sábias mães.
Surpreendentemente os feed backs foram super positivos! Eles diziam: “Você só precisa do
peito e de um sling”; “Olha se não for agora, não vai mais porque enquanto o baby mama no
peito e fica no colo é bem mais fácil”; “Essa é a melhor hora para ir, ele não paga passagem,
não come, fica bem mais em conta”.
Maravilha!!!!
Agora, só faltava falar com o maridão e saber tanto de sua opinião como de sua disposição,
afinal de contas no mês de janeiro ele teria que segurar a onda enquanto eu estudaria. E era
justamente neste mês que ele teria suas férias... E aqui abro um parêntese: meu marido é um
mochileiro de primeira, ficou muitos anos rodando pelo mundo afora, inclusive já morou na
Índia por três meses e sabe bem como as coisas funcionam por lá. Então, prontamente ele
disse que não iria: “gastar um dinheirão, no meu mês de férias, para ficar de babá, naquela
loucura??? Só se fosse por uma trip de surf! ”. Eu rapidamente rebati dizendo que meu curso
aconteceria na mesma cidade onde nosso mestre, Swami Dayananda , tem seu ashram (local
no qual ele residiu e repetiu diversas vezes que só voltaria para Índia se fosse para lá) ,então,
o persuadi dizendo que depois poderíamos fazer o Vedanta Camp com Swamiji!! E quem sabe
alguns dias na Europa...
Ótimo, pelo menos ele falou que iria pensar no assunto...
Quando fomos ver, o Vedanta Camp (estudos de Vedanta com Swami Dayanada) no ano de
2011, só abriria em março! E agora??? Negociar mais algumas semanas de férias em fevereiro
tudo bem, mas negociar três meses já era inviável, ou “chutaríamos o balde” ou desistiríamos
da idéia.
Deisitir? Ai, detesto esta palavra..
Pensa cabeçinha, pensa...
Então quem veio com a “superidéia” foi ele, o mochileiro de primeira, que disse: “Vamos
chutar o balde... não vamos ter outra oportunidade igual a esta. Em janeiro cuido do baby
para você estudar, em fevereiro vamos surfar em algum lugar próximo e em março voltamos à
Índia para o Vedanta Camp.
Ótimo! Ficaria bom para todo mundo...
E eu botei ainda mais lenha na fogueira: “Vamos então, na volta, dar um pulinho na Europa!”
Contatos foram feitos, assim como propostas de trabalho e de trocas... A coisa foi se
estendendo e um projeto de um mês se transformou em um projeto de seis meses, pois
marcamos nossa volta para o dia 4 de agosto de 2011. Passaremos 3 meses na Ásia e 3 meses
na Europa.
E O BABY?
Pois então, e o nosso pequenino, como fica nesta história toda?
Rudra, nosso filho, nasceu de um lindo parto domiciliar assistido pela equipe HANAMI em Florianópolis, dia 28 de Agosto de 2010, portanto quando embarcarmos ele terá 4 meses de vida e voltará quando tiver 1 ano. Graças a algumas mulheres maravilhosas com que tive contato, a minha concepção sobre maternidade mudou muito. Maternidade é uma transformação e não uma estagnação. Ou seja, acreditamos no parto ativo, na amamentação exclusiva ao peito, no dar colo, no elimmination comunication, no dormir junto... Aquela imagem da mãe gorda, jogada no sofá, dando mamadeira, que parou sua vida, foi radicalmente retirada da minha cabeça. Conheci mulheres saudáveis, que carregam seus bebês para todos os lugares, que são ativas e criativas, que resgatam a forma de criação natural: Respeitam os ritmos e a inteligência de seus bebês, atendem prontamente ao seu choro, conversam, cantam e interagem com eles, olham em seus olhos no amamentar, e não os estimulam artificialmente (através de TV, papinhas industrializadas, mamadeiras, brinquedos prontos, etc). Assim, afloram tanto seu instinto quanto sua intuição maternal.
Mas voltando a viagem... Percebi que poderia ter esta experiência com meu bebê, sim!
Utilizando meu instinto maternal tudo é possível, pois é isto que tenho vivido com ele nesses quatro meses. Já fomos juntos a São Paulo, Maresias, Urubici, Rio de Janeiro e Cabo Frio. Carro, avião, ônibus, metrô e até barco já foram experimentados sem problema algum! O bebê/criança precisa se sentir seguro e amado em primeiro lugar, se assim for, o resto é administrável com um pouco de disposição e criatividade. Para isto, os pais devem estar felizes, realizando seus sonhos e projetos, não deixando de fazer o que gostam. Mas devem sim adaptar suas vidas e também dividir as tarefas.
Por isto repito: maternidade/paternidade = transformação e não estagnação! E é por isto que lhe demos o nome de Rudra, um dos nomes de Shiva, o Deus Hindu que personifica a energia da transformação.
Que Ele nos abençoe nessa crianaestrada.
Om namah shivaya!
Literalmente crianaestrada
Thais Andrade
COMO TUDO COMEÇOU
Faltava um ano para me formar em medicina Ayurveda. Desde que começara o curso, tinha
decidido ir à Índia para fazer uma especialização ao final do curso, junto com o grupo formado
aqui no Brasil. Então, foi ai que a inesperadíssima notícia veio: “estou grávida!!!”
Tinha apenas 20 anos, eu e meu companheiro estávamos efetivamente morando juntos há um
mês (ou seja, praticamente no dia que ele se mudou eu engravidei) e eu tinha muitas metas já
estabelecidas para aquele ano... Uma delas era a tão sonhada viagem à Índia.
E agora, o que fazer? Desistir de tudo? A vida acabou? Nossa, meu mundo desmoronou...
Enfim, muitas coisas aconteceram neste meio tempo... Dali um mês me recuperei do susto,
depois nos casamos, nos mudamos, a vida continuou... Mas eu não conseguia desistir da
idéia da viagem, na verdade, essa coisa de desistir dos sonhos nunca foi comigo... E aquele
era um sonho muito importante, cultivado por mais de dois anos! Então, silenciosamente, fui
trocando idéias com alguns médicos, com meus professores, e claro, com outras sábias mães.
Surpreendentemente os feed backs foram super positivos! Eles diziam: “Você só precisa do
peito e de um sling”; “Olha se não for agora, não vai mais porque enquanto o baby mama no
peito e fica no colo é bem mais fácil”; “Essa é a melhor hora para ir, ele não paga passagem,
não come, fica bem mais em conta”.
Maravilha!!!!
Agora, só faltava falar com o maridão e saber tanto de sua opinião como de sua disposição,
afinal de contas no mês de janeiro ele teria que segurar a onda enquanto eu estudaria. E era
justamente neste mês que ele teria suas férias... E aqui abro um parêntese: meu marido é um
mochileiro de primeira, ficou muitos anos rodando pelo mundo afora, inclusive já morou na
Índia por três meses e sabe bem como as coisas funcionam por lá. Então, prontamente ele
disse que não iria: “gastar um dinheirão, no meu mês de férias, para ficar de babá, naquela
loucura??? Só se fosse por uma trip de surf! ”. Eu rapidamente rebati dizendo que meu curso
aconteceria na mesma cidade onde nosso mestre, Swami Dayananda , tem seu ashram (local
no qual ele residiu e repetiu diversas vezes que só voltaria para Índia se fosse para lá) ,então,
o persuadi dizendo que depois poderíamos fazer o Vedanta Camp com Swamiji!! E quem sabe
alguns dias na Europa...
Ótimo, pelo menos ele falou que iria pensar no assunto...
Quando fomos ver, o Vedanta Camp (estudos de Vedanta com Swami Dayanada) no ano de
2011, só abriria em março! E agora??? Negociar mais algumas semanas de férias em fevereiro
tudo bem, mas negociar três meses já era inviável, ou “chutaríamos o balde” ou desistiríamos
da idéia.
Deisitir? Ai, detesto esta palavra..
Pensa cabeçinha, pensa...
Então quem veio com a “superidéia” foi ele, o mochileiro de primeira, que disse: “Vamos
chutar o balde... não vamos ter outra oportunidade igual a esta. Em janeiro cuido do baby
para você estudar, em fevereiro vamos surfar em algum lugar próximo e em março voltamos à
Índia para o Vedanta Camp.
Ótimo! Ficaria bom para todo mundo...
E eu botei ainda mais lenha na fogueira: “Vamos então, na volta, dar um pulinho na Europa!”
Contatos foram feitos, assim como propostas de trabalho e de trocas... A coisa foi se
estendendo e um projeto de um mês se transformou em um projeto de seis meses, pois
marcamos nossa volta para o dia 4 de agosto de 2011. Passaremos 3 meses na Ásia e 3 meses
na Europa.
E O BABY?
Pois então, e o nosso pequenino, como fica nesta história toda?
Rudra, nosso filho, nasceu de um lindo parto domiciliar assistido pela equipe HANAMI em Florianópolis, dia 28 de Agosto de 2010, portanto quando embarcarmos ele terá 4 meses de vida e voltará quando tiver 1 ano. Graças a algumas mulheres maravilhosas com que tive contato, a minha concepção sobre maternidade mudou muito. Maternidade é uma transformação e não uma estagnação. Ou seja, acreditamos no parto ativo, na amamentação exclusiva ao peito, no dar colo, no elimmination comunication, no dormir junto... Aquela imagem da mãe gorda, jogada no sofá, dando mamadeira, que parou sua vida, foi radicalmente retirada da minha cabeça. Conheci mulheres saudáveis, que carregam seus bebês para todos os lugares, que são ativas e criativas, que resgatam a forma de criação natural: Respeitam os ritmos e a inteligência de seus bebês, atendem prontamente ao seu choro, conversam, cantam e interagem com eles, olham em seus olhos no amamentar, e não os estimulam artificialmente (através de TV, papinhas industrializadas, mamadeiras, brinquedos prontos, etc). Assim, afloram tanto seu instinto quanto sua intuição maternal.
Mas voltando a viagem... Percebi que poderia ter esta experiência com meu bebê, sim!
Utilizando meu instinto maternal tudo é possível, pois é isto que tenho vivido com ele nesses quatro meses. Já fomos juntos a São Paulo, Maresias, Urubici, Rio de Janeiro e Cabo Frio. Carro, avião, ônibus, metrô e até barco já foram experimentados sem problema algum! O bebê/criança precisa se sentir seguro e amado em primeiro lugar, se assim for, o resto é administrável com um pouco de disposição e criatividade. Para isto, os pais devem estar felizes, realizando seus sonhos e projetos, não deixando de fazer o que gostam. Mas devem sim adaptar suas vidas e também dividir as tarefas.
Por isto repito: maternidade/paternidade = transformação e não estagnação! E é por isto que lhe demos o nome de Rudra, um dos nomes de Shiva, o Deus Hindu que personifica a energia da transformação.
Que Ele nos abençoe nessa crianaestrada.
Om namah shivaya!
sábado, 19 de fevereiro de 2011
SEN-SA-CIO-NAL!
"Viagem de aventura é mais importante que tudo. Temos um bom entendimento sobre o mundo"*
LINDO!!!
* Jordan Romero em busca dos Sete Cumesdomingo, 16 de janeiro de 2011
Lindo e difícil
Educar uma criança é tarefa das mais lindas e mais difíceis desta vida. Nesta exata ordem. Das mais lindas porque é a possibilidade de você reinventar o mundo – o seu, o da criança e o nosso – a partir de um ser que está iniciando a vida com olhos e coração atentos para o que já está solto por aí, de bom e de ruim, de belo e de feio, de maravilhoso e de não tão maravilhoso. É uma possibilidade de melhorar o que já é legal e de arrumar o que não está legal, neste mundo maluco de seres humanos múltiplos e complexos.
É tarefa das mais difíceis se você pensar que na sua bagagem – sim aquela bagagem que você passa para o seu filho de forma singular e silenciosa em atos, gestos e exemplos diários – existem um milhão e meio de dúvidas sobre o mundo e sobre si mesmo. Qual a melhor fórmula, quais os limites ponderáveis, qual o momento certo de dizer não (ou sim), de falar de liberdade, de respeito, amor, amigos, vida, sexo, drogas, preconceito? É difícil mesmo, muuuuuuuuito difícil. São tantas perguntas, poucas certezas e algumas descobertas.
Aprendi com os meus pais (especialmente depois que cresci de verdade e tive o meu filho) que o exemplo ainda é a melhor forma de educar uma criança. Na grande maioria das vezes, a ação vale mais do que mil palavras. Trabalhar sem preguiça para realizar os sonhos, reconhecer os pequenos-grandes momentos do dia-a-dia, desenvolver a consciência dos presentes que Deus te dá ou mesmo agradecer diariamente pelos pôr-dos-sóis coloridos, pela chuva, pelo vento. Tudo é captado pela cria como um processo tão natural quanto sentir sono, fome ou vontade de fazer xixi.
Educar é das tarefas mais lindas e mais difíceis desta vida. É preciso leveza. É preciso paz. É preciso uma dose de sentir. Simples (e complicado) assim.
O Pinguim!
Bom-dia, Pingüim
Onde vai assim, com ar apressado?
Eu não sou malvado
Não fique assustado, com medo de mim.
Eu só gostaria
De dar um tapinha
No seu chapéu de jaca
Ou bem de levinho
Puxar o rabinho
Da sua casaca.
Onde vai assim, com ar apressado?
Eu não sou malvado
Não fique assustado, com medo de mim.
Eu só gostaria
De dar um tapinha
No seu chapéu de jaca
Ou bem de levinho
Puxar o rabinho
Da sua casaca.
(VINICIUS DE MORAIS)
* Fotos da câmera atenta de Joana Gall Pereira, em Liberty Mountain, na Philadelfia, onde faz intercâmbio no congelante (e delicioso) inverno americano.
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