quarta-feira, 30 de março de 2011

Guia prático de crianaestrada

Vou logo dizendo que adoramos viajar de carro com a cria e geralmente viajamos para bem longe. Quem costuma fazer a mesma coisa sabe que um dos principais desafios é manter o pequeno ser humano entretido por mais de uma, duas, três, quatro horas consecutivas, sem querer sair da cadeirinha. É claro que as paradas são fundamentais para trocar a fralda, dar uma esticada básica nas pernas, respirar o ar da rua.

Uma dica valiosa para papis e mamis viajantes é sair bem cedo pela manhã, dando um gás inicial na viagem com o bebê ainda dormindo. Mas quando ele acordar é bom estar preparado para curtir a viagem sem estresse ao lado dele.

Como viajamos sempre com o Davi desde que ele tinha poucos meses de vida, eu e o Adão viramos craques neste negócio. Temos tantas “técnicas infalíveis” que poderíamos escrever o livro “Como viajar de carro com bebês e não enlouquecer”. Ficaríamos ricos!!!

Aqui vão algumas técnicas que deram certo na última viagem para o Rio Grande do Sul, quase lááááá na fronteira com o Uruguai, a quase 1 mil quilômetros de casa (ui!).


COCORICÓ NO DVD PORTÁTIL: Este equipamento é valioso! A Turma do Cocoricó (ou qualquer desenho de sua preferência) é a garantia de viagem tranquila por longas horas. Alterne a atração com música, bolachas águal e sal e surpresas como "olha o avião, olha a vaquinha, olha o carro de boi". É batata!  

CABANINHA COM O COBERTOR: Toda criança gosta de fazer cabaninha. Deixe o companheiro (ou companheira) dirigindo na frente, vá para o banco de trás com a cria entre no clima. Faça cabaninha com o cobertor, brinque de esconder-achar , cante, puxe o seu repertório lá do fundo do seu maternal. Certeza que dá certo!

DORMIR, DORMIR, DORMIR. Coisa boa um balancinho do carro para fazer a cria pegar no sono. Para que ela adormeça sem interferências, coloque música suave e em tom baixo. Também não converse muito alto. A paz na estrada agradece.


CONTE HISTÓRIAS: Livros são sempre excelentes aliados. Claro que não vamos deixar a criança ler com o carro em movimento (para não vomitar e a viagem ficar com cheiro de azedo... hehe), mas um livrinho de figuras sempre ajuda a criar histórias diferentes e testar a sua imaginação.



E pé na estrada!!!

sexta-feira, 4 de março de 2011

Carta a Davi (2)


Davi, meu filho, luz dos meus dias, faz dois anos que escrevi a primeira carta a você, ainda dentro da barriga. É esquisito pensar que você já esteve aqui dentro. Agora à noite, antes de você dormir, eu alisava os seus cabelos, olhava suas perninhas compridas e quase duvidava da mágica louca da vida que faz os bebês crescerem e se desenvolverem com a rapidez de um raio.

Sim, neste dia 5 de março é o seu aniversário. Mas não só o seu. É também o meu e o do seu pai. Há dois anos nasceram junto com você um pai e uma mãe de primeira viagem, inexperientes, sedentos por cheirinho e chorinho de bebê em casa, ansiosos por ensinar e aprender na mesma medida. E vou ainda mais longe. Nasceram e renasceram também avós, titios e primos (de sangue e emprestados), que durante nove meses acompanharam cada movimento seu no ultrassom.




Sabe Davi, somente depois que um bebê nasce é que a gente entende o tamanho da responsabilidade, da delicadeza, da leveza e da sabedoria que é preciso ter diante da vida. É lindo e também difícil. É belo, louco, inspirador, cansativo, maravilhoso, renovador, feliz.

No inicio desta semana, fosses pela primeira vez para a escola. Foi um dia bem especial. Entrando porta adentro com você na escolinha, me dei conta mais uma vez do ciclo belo da vida. Esta vida que se repete em capítulos de um longa-metragem. Lembrei do meu primeiro dia de maternal, a vovó levando a mamãe de mãos dadas para a sala de aula cheia de crianças ansiosas e assustadas. Te entreguei para a professora com a garganta seca, atônita e emocionada pelo início da sua caminhada. Sim, ali começava uma nova e longa caminhada.



Com 24 meses completos, você é um menino doce, curioso, sorridente, esperto, teimoso, determinado. Como diz a tia Lili, é muito melhor do que no meu melhor sonho.

Feliz 2 anos de vida! Feliz mundo novo que virá. Feliz aprendizados, feliz ensinamentos, feliz reflexões, feliz amizades duradouras, feliz banhos de chuva, feliz primeiro amor, feliz decepções, feliz decisões, feliz descobertas por este mundão de Deus afora.

Que a sua vida seja inteira. E nada mais!



terça-feira, 1 de março de 2011

E lá foi ele...

E lá foi ele, prestes a completar dois anos de vida, para seu primeiro contato realista com o mundo coletivo. Depois de quase 24 meses sob nossos cuidados, Davi vestiu o uniforme e disparou para o “mundo real”. Uma sala de aula, 16 crianças, algumas regras, convivência, rotina, diferenças. Logo de cara, arrancou o brinquedo de um colega. Tranqüilo, este deixou passar. Certamente, mas mais à frente, Davi deve ter encontrado outro bebê (menos paciente) com quem teve que dialogar para um entendimento mútuo.

E isto é ÓTIMO!

Sim, nosso bebê está crescendo e (graças a Deus) descobrindo que o mundo é bem maior do que o umbigo imaginário chamado casa + papai + mamãe. Na escola, Davi terá que buscar seus próprios argumentos e limites, aprender o que gosta, o que não gosta, que existe todo tipo de gosto, gente, harmonia e sinfonia.

E viva a vida em comunidade.
E viva a escola.
Este é só o começo da estrada.

;-)


segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Literalmente crianaestrada!

Texto escrito pela nossa nossa amiga Thais Andrade a convite do CRIAnaestrada, lá por dezembro... A essas alturas, os três estão em plena trip! Você tem alguma experiência crianaestrada? Divida aqui!


Literalmente crianaestrada
Thais Andrade

COMO TUDO COMEÇOU

Faltava um ano para me formar em medicina Ayurveda. Desde que começara o curso, tinha
decidido ir à Índia para fazer uma especialização ao final do curso, junto com o grupo formado
aqui no Brasil. Então, foi ai que a inesperadíssima notícia veio: “estou grávida!!!”

Tinha apenas 20 anos, eu e meu companheiro estávamos efetivamente morando juntos há um
mês (ou seja, praticamente no dia que ele se mudou eu engravidei) e eu tinha muitas metas já
estabelecidas para aquele ano... Uma delas era a tão sonhada viagem à Índia.

E agora, o que fazer? Desistir de tudo? A vida acabou? Nossa, meu mundo desmoronou...

Enfim, muitas coisas aconteceram neste meio tempo... Dali um mês me recuperei do susto,
depois nos casamos, nos mudamos, a vida continuou... Mas eu não conseguia desistir da
idéia da viagem, na verdade, essa coisa de desistir dos sonhos nunca foi comigo... E aquele
era um sonho muito importante, cultivado por mais de dois anos! Então, silenciosamente, fui
trocando idéias com alguns médicos, com meus professores, e claro, com outras sábias mães.
Surpreendentemente os feed backs foram super positivos! Eles diziam: “Você só precisa do
peito e de um sling”; “Olha se não for agora, não vai mais porque enquanto o baby mama no
peito e fica no colo é bem mais fácil”; “Essa é a melhor hora para ir, ele não paga passagem,
não come, fica bem mais em conta”.

Maravilha!!!!

Agora, só faltava falar com o maridão e saber tanto de sua opinião como de sua disposição,
afinal de contas no mês de janeiro ele teria que segurar a onda enquanto eu estudaria. E era
justamente neste mês que ele teria suas férias... E aqui abro um parêntese: meu marido é um
mochileiro de primeira, ficou muitos anos rodando pelo mundo afora, inclusive já morou na
Índia por três meses e sabe bem como as coisas funcionam por lá. Então, prontamente ele
disse que não iria: “gastar um dinheirão, no meu mês de férias, para ficar de babá, naquela
loucura??? Só se fosse por uma trip de surf! ”. Eu rapidamente rebati dizendo que meu curso
aconteceria na mesma cidade onde nosso mestre, Swami Dayananda , tem seu ashram (local
no qual ele residiu e repetiu diversas vezes que só voltaria para Índia se fosse para lá) ,então,
o persuadi dizendo que depois poderíamos fazer o Vedanta Camp com Swamiji!! E quem sabe
alguns dias na Europa...

Ótimo, pelo menos ele falou que iria pensar no assunto...

Quando fomos ver, o Vedanta Camp (estudos de Vedanta com Swami Dayanada) no ano de
2011, só abriria em março! E agora??? Negociar mais algumas semanas de férias em fevereiro
tudo bem, mas negociar três meses já era inviável, ou “chutaríamos o balde” ou desistiríamos
da idéia.

Deisitir? Ai, detesto esta palavra..

Pensa cabeçinha, pensa...

Então quem veio com a “superidéia” foi ele, o mochileiro de primeira, que disse: “Vamos
chutar o balde... não vamos ter outra oportunidade igual a esta. Em janeiro cuido do baby
para você estudar, em fevereiro vamos surfar em algum lugar próximo e em março voltamos à
Índia para o Vedanta Camp.

Ótimo! Ficaria bom para todo mundo...

E eu botei ainda mais lenha na fogueira: “Vamos então, na volta, dar um pulinho na Europa!”

Contatos foram feitos, assim como propostas de trabalho e de trocas... A coisa foi se
estendendo e um projeto de um mês se transformou em um projeto de seis meses, pois
marcamos nossa volta para o dia 4 de agosto de 2011. Passaremos 3 meses na Ásia e 3 meses
na Europa.

E O BABY?

Pois então, e o nosso pequenino, como fica nesta história toda?

Rudra, nosso filho, nasceu de um lindo parto domiciliar assistido pela equipe HANAMI em Florianópolis, dia 28 de Agosto de 2010, portanto quando embarcarmos ele terá 4 meses de vida e voltará quando tiver 1 ano. Graças a algumas mulheres maravilhosas com que tive contato, a minha concepção sobre maternidade mudou muito. Maternidade é uma transformação e não uma estagnação. Ou seja, acreditamos no parto ativo, na amamentação exclusiva ao peito, no dar colo, no elimmination comunication, no dormir junto... Aquela imagem da mãe gorda, jogada no sofá, dando mamadeira, que parou sua vida, foi radicalmente retirada da minha cabeça. Conheci mulheres saudáveis, que carregam seus bebês para todos os lugares, que são ativas e criativas, que resgatam a forma de criação natural: Respeitam os ritmos e a inteligência de seus bebês, atendem prontamente ao seu choro, conversam, cantam e interagem com eles, olham em seus olhos no amamentar, e não os estimulam artificialmente (através de TV, papinhas industrializadas, mamadeiras, brinquedos prontos, etc). Assim, afloram tanto seu instinto quanto sua intuição maternal.

Mas voltando a viagem... Percebi que poderia ter esta experiência com meu bebê, sim!
Utilizando meu instinto maternal tudo é possível, pois é isto que tenho vivido com ele nesses quatro meses. Já fomos juntos a São Paulo, Maresias, Urubici, Rio de Janeiro e Cabo Frio. Carro, avião, ônibus, metrô e até barco já foram experimentados sem problema algum! bebê/criança precisa se sentir seguro e amado em primeiro lugar, se assim for, o resto é administrável com um pouco de disposição e criatividade. Para isto, os pais devem estar felizes, realizando seus sonhos e projetos, não deixando de fazer o que gostam. Mas devem sim adaptar suas vidas e também dividir as tarefas.

Por isto repito: maternidade/paternidade = transformação e não estagnação! E é por isto que lhe demos o nome de Rudra, um dos nomes de Shiva, o Deus Hindu que personifica a energia da transformação.

Que Ele nos abençoe nessa crianaestrada.

Om namah shivaya!

sábado, 19 de fevereiro de 2011

domingo, 16 de janeiro de 2011

Lindo e difícil


Educar uma criança é tarefa das mais lindas e mais difíceis desta vida. Nesta exata ordem. Das mais lindas porque é a possibilidade de você reinventar o mundo – o seu, o da criança e o nosso – a partir de um ser que está iniciando a vida com olhos e coração atentos para o que já está solto por aí, de bom e de ruim, de belo e de feio, de maravilhoso e de não tão maravilhoso. É uma possibilidade de melhorar o que já é legal e de arrumar o que não está legal, neste mundo maluco de seres humanos múltiplos e complexos.

É tarefa das mais difíceis se você pensar que na sua bagagem – sim aquela bagagem que você passa para o seu filho de forma singular e silenciosa em  atos, gestos e exemplos diários – existem um milhão e meio de dúvidas sobre o mundo e sobre si mesmo. Qual a melhor fórmula, quais os limites ponderáveis, qual o momento certo de dizer não (ou sim), de falar de liberdade, de respeito, amor, amigos, vida, sexo, drogas, preconceito? É difícil mesmo, muuuuuuuuito difícil. São tantas perguntas, poucas certezas e algumas descobertas.

Aprendi com os meus pais (especialmente depois que cresci de verdade e tive o meu filho) que o exemplo ainda é a melhor forma de educar uma criança. Na grande maioria das vezes, a ação vale mais do que mil palavras. Trabalhar sem preguiça para realizar os sonhos, reconhecer os pequenos-grandes momentos do dia-a-dia, desenvolver a consciência dos presentes que Deus te dá ou mesmo agradecer diariamente pelos pôr-dos-sóis coloridos, pela chuva, pelo vento. Tudo é captado pela cria como um processo tão natural quanto sentir sono, fome ou vontade de fazer xixi.

Educar é das tarefas mais lindas e mais difíceis desta vida. É preciso leveza. É preciso paz. É preciso uma dose de sentir. Simples (e complicado) assim.


O Pinguim!

Bom-dia, Pingüim
Onde vai assim, com ar apressado?
Eu não sou malvado
Não fique assustado, com medo de mim.
Eu só gostaria
De dar um tapinha
No seu chapéu de jaca
Ou bem de levinho
Puxar o rabinho
Da sua casaca. 
(VINICIUS DE MORAIS)

* Fotos da câmera atenta de Joana Gall Pereira, em Liberty Mountain, na Philadelfia, onde faz intercâmbio no congelante (e delicioso) inverno americano.
 



 


sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Só carregue o que você pode!


Eu contei da noite do soninho? Não né. Aconteceu há pouco, nos encerramentos da escola lindamente chamada de Quintal Mágico que Sara Lee frequenta. Chegamos em casa do trabalho, arrumamos a mochila em poucos minutos e ainda deu tempo da moça botar uma energia da "lagoa" que inventamos numa caixa d'água abandonada em casa. Chegando lá rimos um pouco, -mas não muito porque abominamos deboche- de papais e mamães com malas gigantes, colchões enormes, travesseirões e todas aquelas coisas que não fariam absolutamente nenhuma falta pros filhotes, que chegaram às oito da noite de um dia, e iam embora às nove da manhã do outro.

Rimos só um pouquinho, porque além de não gostar de deboche, sabemos que isso não é tão engraçado. É condicionamento. É ignorância, no sentido menos ofensivo e mais puro da palavra. É não ter experenciado, é optar pelo caminho difícil sem querer, é não saber ser simples.

É legal ter atenção, porque os filhos são nossa oportunidade de rever tudo isso que tá impregnado em nós. E pensar no que estamos ensinando (ou des ensinando?), no que estamos colocando como "essencial", como "não pode faltar". Criança precisa ser acostumada a se adaptar em qualquer situação, não necessita casa-nas-costas quando põe o pé pra fora. "Ah meu filho só toma isso no café da manhã"; "Ah se faltar a mamadeira vai dar problema", "Ah, mas como ele vai se acomodar sem o colchão da cama dele?" "Tá com fome?"; "Tá com frio?" É muita informação. Não precisa tanto. Vale a pena às vezes ficar quieto e deixar a cria SER, se manifestar, se expor de forma voluntária.

Tem uma dica essencial, nas trips, na vida:

LEVE APENAS O QUE PODE CARREGAR. Esvazie a mochila. SEMPRE.

Sim, a dica também vale para as crianças.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

CRIAS NA NEVE

E quem é que disse que cria não deve sair de casa no frio??? Vejam só a alegria do Arthur, 6, e da Lethicia, 3, na primeira neve do inverno americano. Eles são filhos do Carlos Eduardo e da Thais, que estão morando nos EUA e formam uma familia tupiniquim para lá de estradeira.

:-)








domingo, 5 de dezembro de 2010

Leilão de Jardim

Quem me compra um jardim
com flores?
borboletas de muitas cores,
lavadeiras e passarinhos,
ovos verdes e azuis
nos ninhos?
Quem me compra este caracol?
Quem me compra um raio de sol?
Um lagarto entre o muro e a hera,
uma estátua da Primavera?
Quem me compra este formigueiro?
E este sapo, que é jardineiro?
E a cigarra e a sua canção?
E o grilinho dentro do chão?
(Este é meu leilão!)

- Cecília Meirelles





sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Sangam*

Morro do Anhangava, PR, Brasil. maio 2010.
Dez pés e um só tapete.

*Sangam é uma palavra em sânscrito e significa "caminhando juntos"; ou "confluência"; ou ainda "reunir-se em boa companhia".

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Pra sempre

"Nunca se recupera de uma infância feliz"
Maria Filomena Cándido



Lagoa, água doce. 
Sítio da Dayse, Camboriú, SC, Brasil. 

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Café com leite pras crias


Achei o máximo que a estréia das meninas na escalada em rocha tenha sido numa via chamada Café com Leite, na Praia Brava, Itajaí. Sara tem 4, Joana 6, e elas têm apelido estiloso de aventureiras, é a Sara Lee (às vezes Sara Lee Johnson), e a Djoeine. Já faz uns meses isso, mas mexendo nas fotos e com barulhinho de chuva me inspirei a postar. Naquele dia começou um chuvisco insistente e as duas rapidamente inventaram um mantra:

"Chuva pára chuva pára pra gente poder escalar".



Amei. Agradecimento especial ao "dindo" Rogemiro Soledade, o Roger, anos e anos de molecagem. E sempre pronto pra brincar.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A tristeza das crianças

Relato de Bernardo Mussi, mergulhador de Salvador, que levou sua filha de dez anos e a amiguinha para passear e -sem querer- constatar uma triste realidade, que, infelizmente, não é exceção daquela praia.


Conhecem aquela história né? Em vez de pensar em deixar um planeta melhor pros filhos (tá difícil viu?), deixar filhos melhores para o planeta. Comece agora. Parabéns Bernardo!








"Depois que escrevi O Fundo da Folia falando sobre a enorme quantidade de latinhas de cerveja e refrigerantes encontradas no fundo do mar após o carnaval, com a repercussão mundial que a matéria teve, pensei que as coisas fossem melhorar este ano. Estava enganado.

Hoje, em plena primavera, fui mergulhar com minha filha de 10 anos e uma coleguinha de escola da mesma idade para mostrar-lhes as belezas do fundo do mar na região da Barra. Não imaginava que presenciaria, ainda nesta época do ano, um festival de latinhas fazendo a prévia do verão e dos eventos que se aproximam.

Fiquei surpreso pelo achado. Sem os eventos, mas com uma população flutuante bastante numerosa na Barra durante os dias de sol, uma multidão de ambulantes se instala por todos os espaços disponíveis na orla do bairro para fomentar um costume que tem se tornado cada vez mais nocivo ao meio ambiente e a nossa cultura, que é o consumo exagerado de bebidas alcoólicas na praia.

Basta olhar o que a maioria dos ambulantes vende como carro chefe, e mais ainda o que encontramos no fundo do mar. É impressionante a quantidade de latas de cerveja que se amontoam em determinados locais. Não há outro material descartado, outro tipo de lixo, que se compare ao volume do que vemos nestas áreas submersas.

Minha filha e sua coleguinha ficaram decepcionadas quando viram a concentração destes resíduos em meio à vida marinha. Aliás, não há quem não consiga esboçar alguma reação ao ver cenas tão marcantes, ao vivo e a cores. Cenas que nos fazem refletir sobre a gravidade da atual situação da educação e saúde da nossa gente, e também da falta de uma ação eficaz dos órgãos públicos.

As crianças ficaram um bom tempo olhando com atenção aquelas latinhas rolando ao sabor das correntes. Depois de um tempo, subiram na prancha de surf que levo como apoio e começaram a me questionar algumas óbvias considerações sobre o assunto.

Perguntaram-me como é que as latinhas conseguem ficar agrupadas daquela maneira. Respondi que na verdade elas acabam encalhando em algumas “valas” submarinas após serem levadas do raso para o fundo com o movimento das marés.

Queriam saber os motivos pelos quais não víamos com freqüência outros tipos de resíduos poluentes além das latinhas de cerveja. Mostrei ainda de dentro d’água a quantidade de ambulantes vendendo a bebida nas areias e calçadas, e a multidão de pessoas consumindo o produto que custa o preço de uma garrafa de água mineral.

Questionaram-me sobre os impactos negativos na vida marinha. Afirmei sem a menor dúvida que aquilo poderia ser uma das razões para que seus filhos ou netos, em futuro próximo, jamais tivessem a oportunidade de contemplar os peixes que estávamos vendo, os corais, aquelas águas cristalinas.

Só não consegui responder a mais óbvia das perguntas: por que ninguém faz nada?

Engoli seco, pensei rápido e a única coisa que passou em minha cabeça foi o próprio sentimento de que todas as ações que havia feito até ali, incluindo O Fundo da Folia no Carnaval deste ano, não surtiram efeito algum. Fiquei de responder depois, e seguimos nosso mergulho.

Mais adiante encontramos novos focos de latinhas e em todos estes momentos as crianças paravam para comparar a quantidade e a marca das embalagens. Achei aquilo de uma importância fenomenal para a formação da consciência daquelas futuras brasileirinhas em favor da educação e saúde da nossa gente.

Depois de quase duas horas mergulhando saímos do mar. Naquele momento, ao chegar à beira da praia e começar a andar pelas areias lotadas de gente se fartando de comidas e bebidas em meio a um turbilhão de ambulantes, percebi que as crianças entenderam a minha falta em relação àquela pergunta que havia ficado sem reposta.

As latas que estavam no fundo do mar estavam bem ali, por toda a areia, espalhadas como reflexo de uma cultura de praia pouco saudável e completamente deseducada. O costume do consumo exagerado de bebidas alcoólicas em Salvador já venceu a força dos órgãos públicos e aos poucos vai vencendo a resistência do meio ambiente.

Mas há esperança enquanto mentes de anjo, como daquelas crianças, puderem ter a oportunidade de vivenciar experiências assim para compartilhar em seus mundos, em suas escolas, em suas vidas.

Só não há razão para continuarmos sem saber os motivos pelos quais ninguém consegue fazer nada que consiga reverter este quadro lamentável na raiz do problema. Não há mais época do ano em que o cenário fique livre de tantas latinhas.

Para a tristeza de nossas crianças…

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Verdade seja dita!

"O homem quando filho, deve lapidar seu próprio destino, iluminando seus caminhos com as verdades que aprendeu no lar, porque querer bem um filho não significa obrigá-lo a viver com nossas verdades. Querer bem um filho significa ajudá-lo a crescer, ajudá-lo a crescer sem nossas mentiras."

Dante Ramon Ledesma
(colaboração de Adão Pinheiro para o crianaestrada)


segunda-feira, 15 de novembro de 2010

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Definição da Sara Lee, 4, pro Michael Jackson, quando perguntei se ela sabia que ele morreu. E do que ele morreu.

"Seei sim, claro que sei.
Ele era preto, queria ser branco, tomou muito remédio e morreu".

Veio chipada.

sábado, 6 de novembro de 2010

Yael na estrada!

Colaboração da Gabriela Maraschin*



Quando temos um filho, queremos dar o melhor para ele. 

E o melhor que eu posso dar para a minha filha é o mundo. Por isso, Yael já nasceu com o pé na estrada. Prestes a completar 5 meses, carimbou o passaporte pela primeira vez e encarou um mochilão pela Itália, país de sua família materna. Me surpreendi com a curiosidade e a parceria deste serzinho tão pequeno. É claro que a companhia e o apoio da "nona" foram fundamentais para o sucesso desta primeira aventura, que acabou por aprofundar muito os laços mãe-neta-avó. 

Iniciada na estrada, Yael partiu para sua segunda prova de fogo aos 15 meses de idade: uma viagem da França até o fim da Terra, o Finistério, lá onde a Espanha faz a curva. Foram mais de 3 mil quilômetros vivendo numa van, dormindo na beira da praia, no alto de montanhas e campos. Foi também nossa primeira viagem juntos, eu, Yael e o pai dela. Pegamos muitos dias frios e com chuva. Foi difícil ficar presa dentro do carro com um bebê, achar lugar para tomar banho, fazer comida. Nos estressamos! Mas percebemos que, não demora muito, o sol brilha. E quando ele brilha é hora de aproveitar. Yael viu de pertinho vários animais que só conhecia dos livrinhos, aprendeu algumas palavras em espanhol, tomou banho de mar gelado dando risada, mergulhou, pisou em areias com várias texturas (fofa, de pedrinhas, de conchinhas quebradas), provou comidas diferentes, explorou pracinhas e brinquedos novos, viu cidade grande, vilarejos perdidos, mato, morro, campo e praia. Andou de pé de descalço, se sujou, tomou banho de panela e nas duchas das praias. Comeu doce, peixe fresco e aprendeu a ficar de pé na prancha do pai. Dormiu debaixo do céu mais estrelado que já vi nos meus 30 anos de vida. E como foi bom fazer isso com ela. Nessas três semanas, minha filha ficou solta e cresceu. Fez todas as refeições sem sua cadeirinha de bebê, dormiu longe do seu bercinho, tomou banho fora de sua banheirinha e nada disso fez falta. Ao contrário, vi Yael se encantar, encher seus olhinhos e alimentar seu espírito.

Meu bebê virou uma menininha. E agora, já em casa, entendi que quem aprendeu com esta viagem, não foi ela, mas eu. Yael me ensinou a me abrir sem preconceitos para o mundo. 

*Gabriela Maraschin é brasileira que mora na França, jornalista, mãe de Yael.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Pouco tempo para a natureza

"Apenas um terço das mães passeia com os filhos ao ar livre"

Chama atenção a matéria publicada pela revista Época, que mostra que as crianças querem mais vida ao ar livre, contato com plantas e bichos, mas "a falta de tempo e a insegurança dos adultos a impedem".

Ter filho exige tempo, dedicação, paciência e sobretudo consciência. Não é uma obrigação, embora assim pareça - devido aos padrões sociais de vida e família a que estamos acostumados desde pequenos.Mas existe outro caminho possível! Se não tem tempo NÃO TENHA FILHOS. É crueldade sujeitar seres dependentes da boa vontade dos outros a uma vida dentro de quatro paredes, ou dentro de shoppings, ou dentro de elevadores, ou em frente a caixas animadas. Uma vida longe de SI MESMO. Exige reflexão.

Leia a matéria aqui ó.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Tudo pode ser brincadeira!

"Santo Agostinho não usou a palavra “brinquedo”. Sou eu quem a usa porque não encontro outra mais apropriada. Armar quebra-cabeças, empinar pipa, rodar pião, jogar xadrez, bilboquê, jogar sinuca, dançar, ler um conto, ver caleidoscópio: não levam a nada. Não existem para levar a coisa alguma. Quem está brincando já chegou. Comparem a intensidade das crianças ao brincar com o seu sofrimento ao fazer fichas de leitura! Afinal de contas, para que servem as fichas de leitura? São úteis? Dão prazer? Livros podem ser brinquedos?

O inglês e o alemão têm uma felicidade que não temos. Têm uma única palavra para se referir ao brinquedo e à arte. No inglês, play. No alemão, spielen. Arte e brinquedo são a mesma coisa: atividades inúteis que dão prazer e alegria. Poesia, música, pintura, escultura, dança, teatro, culinária: são todas brincadeiras que inventamos para que o corpo encontre a felicidade, ainda que em breves momentos de distração, como diria Guimarães Rosa.

Esse é o resumo da minha filosofia da educação. Resta perguntar: os saberes que se ensinam em nossas escolas são ferramentas? Tornam os alunos mais competentes para executar as tarefas práticas do cotidiano? E eles, alunos, aprendem a ver os objetos do mundo como se fossem brinquedos? Têm mais alegria? Infelizmente não há avaliações de múltipla escolha para se medir alegria..." (Rubem Alves)

Quintal, mágico
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