terça-feira, 26 de julho de 2011

Primeiro as damas!

Primeiro as damas: estréia da Malu
É emocionante presenciar a primeira escalada de alguém. Com as crianças é ainda mais especial.
As reações ficam mais reações, sabe como? É a natureza humana no seu estado mais puro, cada um com seu jeito, cada qual único e distinto, valoroso, perfeito. Nesse domingo tive o prazer de ver quatro estréias, cada qual com sua graça, molecadinha e molecadona se testando e lidando com as emoções.

A Malu, 5, foi a primeira, ansiosa que estava, esperava pelo momento há muito. Sem titubear fez a via completa e honrou o título (a "Primeiro as Damas" fica num sitiozinho em Camboriú). Muito impressionante, muito inspirador, muito livre de condicionamentos.

O Rogemiro, que mais uma vez foi o responsável pela iniciação da moçada, ficou completamente atônito com a cena. Disse que nunca viu nada parecido. E os diálogos? E o conversê alheio das outras crias, que ficaram, de boa aberta, olhando pra cima ela ir e ir e ir? Alto, mas alto, e ela de molecagem e riso, vez em quando saía, um "ain, medo", mas já passou e foi e foi e foi. Damíssima, linda estréia.










LÁ! longe

- Anda Malu! Desce, já deu!
- NÃO! Quero mais!
- Ela tá viciada!, dizia o Pedro.
- E isso.
- E aquilo.

Que movimentação! Que linda leitura. E é assim é que é.



Eu, particularmente, fiquei duplamente, triplamente, quadruplamente feliz e emocionada, porque a Lu Altmann, a mãe da Malu, também experimentou a brincadeira e, com toda sua pimentice, não pensou duas vezes e tocou pra cima, tipo mãe-de-lagartixinha-lagartixa-é. Que LINDA! Minha amiga de tantos anos, de tantas histórias, compartilhamos mais essa, assim no susto. Não se faz esse tipo de atividade com qualquer um, precisa alto grau de confiança. Pra não se machucar, mas pra também poder ficar à vontade, mostrar quem é; reforçar os vínculos. Nú e crú, e firme como um nó de oito.

Meninas super poderosas 
Pedroca

Pedroca

Duda

Lanchinho

João

Davi

E a Lú 

domingo, 24 de julho de 2011

Perguntas (e respostas)

"Crianças gostam de fazer perguntas sobre tudo. Mas nem todas as respostas cabem num adulto". (Arnaldo Antunes)


sexta-feira, 15 de julho de 2011

Ilha das Peças

Gente, tava mexendo aqui nas gavetas e encontrei esse álbum, lá de 2008 (como o Davi cresceu nesse meio tempo!) de uma trip que fizemos para a Ilha das Peças. Foi muito legal, caminhamos MUITO, uns 14 quilômetros só pra ir, partindo da vila de pescadores, já do lado de lá. É que a gente chega de carro em Paranaguá, de lá pega uma barca até a vila e da vila sai andando. De cria mesmo era o Dá, que tinha 9 anos e o Caio, 11. A Ilha fica de frente pra Ilha do Mel, mas é bem bem deserta, muito diferente. Fomos até a ponta, seguindo pela areia reto toda vida, acampamos e no outro dia voltamos. No primeiro dia ficamos na vila, muito roots, com poucos nativos morando, mas um restaurantinho que tinha um peixe frito inesquecível. Coloquei o álbum inteiro porque na trip todo mundo vira cria.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Cria na Estrada (parte II)

"Parte II" porque é a segunda vez que a nossa amiga Thais Andrade tá contribuindo aqui no Cria. A primeira foi no início da longa viagem que ela e o marido estão fazendo com o filhote-bebê-mais-feliz-do-mundo Rudrá (hoje completando dez meses!). 

A Thati, como é carinhosamente chamada pelos amigos, nesse meio tempo lançou um blog muito legal de coisas-essenciais-e-auto-conhecer. Visita aqui!

Neelakantha – Rishikesh/ India (7 meses)

"Era uma vez uma mãe, um pai e um bebê de 4 meses, que mesmo taxados de loucos, resolveram viajar pelo mundo para intensificar tanto a experiência de vida profissional quanto e principalmente a experiência de vida pessoal, em família, se auto-descobrindo em seus novos papéis e criando sua cria sem "palpites e pitacos" não solicitados. Há alguns meses, escrevi aqui como tudo começou; mas como toda história tem um começo, um meio e um fim, e nós estamos no meio dela, aproveito para compartilhar mais algumas coisinhas... 

A MELHOR COISA DO MUNDO É VIAJAR COM BEBÊ!!! 
A experiência que estamos tendo é que ao invés de dificultar, tudo fica mais fácil... Qualquer coração se amolece ao ver uma criaturinha tão fofa quanto um bebê, as pessoas puxam papo e nos favorecem sem nem se quer termos pedido! O mundo te olha com outros olhos quando se está em família, bem diferente do olhar direcionado a um mochileiro, por exemplo. 

Uma dica interessante durante viagens de avião: A primeira fileira, que é a mais espaçosa, é preferencial para mães com bebês, idosos, etc., mas está SEMPRE ocupada por pessoas sem preferência. Então, o máximo que irão fazer por vocês é colocar a mãe sozinha com seu filho no colo enquanto seu marido fica em outra cadeira distante. O que vocês devem fazer é não aceitar e pedir que eles lhes dêem ou bloqueiem um terceiro assento. Isso acontece e é bem mais prático, pois assim é possível colocar o bebê-conforto neste terceiro assento e acomodar sua cria quando ela dormir. Desta forma, nós pais podemos também dar uma cochiladinha (que é coisa rara nestes tempos...rsrs) e não precisamos pagar um absurdo para ter direito a um berço - que inclusive já deveria estar incluso na taxa que é paga na passagem do bebê!
 
Para famílias que também são práticas e não gostam de carregar muita tralha: 
1- Não é preciso levar berço. O que temos feito é uma caminha improvisada que fica entre nós: usamos um casaco grande e o próprio cobertor dele dobrado como base; e embaixo deles colocamos rolinhos de camisetas na cabeça e nas laterais para levantar as bordas, ou seja, usamos nossas próprias roupas para acomodá-lo. 

2- Para ele brincar no chão usamos nossos mats de yoga. 

3- Os brinquedos criamos com o que temos disponível, como: frascos de remédios, pacotes de bolacha, garrafas de água... Coisas com formatos diferentes, que fazem barulho e que tenham bastante colorido. Nosso pequeno a-do-ra... Nessa fase, tudo é brinquedo! 

4- Se você amamenta e está começando a introduzir os alimentos: mamadeira não é preciso e inclusive nem indicada, além de ser acompanhada de "um monte de tralha", ela libera uma substância chamada bisfenol que é altamente tóxica, e assim como a chupeta prejudica na dentição e arcada dentária. O indicado, quando se quer dar sucos de frutas ou água, é usar um copinho pequeno. 


O indispensável para se levar: 
1-Máquina fotográfica para filmar e registrar os momentos singulares que passam rápido como um flash; 

2-Sling, para deixar a cria bem pertinho e segura; 

3- Bebê-conforto para acomodá-la em locais como avião, carro, entre outros meios de transporte que por ventura podem vir a ser utilizados (inclusive nos carrinhos dos aeroportos, rsrs); 

4- Muita energia, amor e doação! 

Compartilho então algumas fotos dos melhores momentos

Italia 0 graus (Rudra com 4 meses)

Com nosso Guru Swami Dayananda na India (6 meses)

Pronto para o surf no Ganges (6 meses e meio)


Bagunçando no avião (7 meses e meio)

Família em Ballangan/ Bali (7 meses e meio)

Aulinhas de natação com mamãe (7 meses e meio) 

lingando (7 meses e meio)

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Rumo ao Rio!


    Foto Caroline Cezar


Oba! Ganhamos a promo do blog Mães à Obra e levamos três passagens pro Rio! Dá uma olhada no espaço das colegas jornalistas e como rolou a escolha aqui ó. Compartilhamos o texto que foi escolhido, "Esvaziando a mochilinha - uma aventura com crianças na Patagônia Argentina". (PS: dedico esse prêmio à minha colega de blog e amiga de vida Luciana Zonta, que foi a principal incentivadora na participação. Obrigada Lú, foi graças a ti!) 


"Esvaziando a mochilinha
Não sei se por afinidade, educação, genética ou sorte, nós quatro gostamos de praia, mato, cachoeira, montanha ou qualquer outra paisagem que possibilite um contato maior com a natureza quando optamos por sair de casa. Centros urbanos não nos atraem como destino principal, gasta-se muito, contempla-se pouco. Nossos filhos, a nossas vistas, parecem crescer muito rápido, então decidimos que estava na hora de uma esticada maior, para que eles pudessem sentir na pele o que é viajar de verdade. Sara tem 5, Davi tem 11.

Nosso destino era a Patagônia Argentina, por um mês. Pedimos a amigos que cuidassem da casa e dos cachorros e colocamos nossa outra casa nas costas: estava tudo lá, em duas mochilonas e duas mochilinhas: teto, camas, cozinha, comida, roupas quentes e de banho, livros, equipamentos. Quase não dá para acreditar que é possível viver carregando tudo que é preciso, nem mais nem menos. O roteiro não estava muito determinado para ficarmos livres para adaptar conforme nossa vontade.
Dos 28 dias, dormimos 5 ou 6 em camas de hostels. Nos outros, dividimos a barraca, numa convivência tão estreita que nunca tínhamos experimentado antes. O frio noturno possibilitava o aconchego e tudo correu sem problemas. Fizemos Floripa – Buenos Aires de avião e depois ônibus e pernas pra que te quero. O “cochecama” Buenos Aires-Bariloche, para percorrer a longa viagem de 22 horas, é muito confortável. Para se hospedar na cidade é bom reservar antes, mas tem campings muito charmosos em vilas ao redor da cidade, em torno de lagos. Muitas famílias acampam na Argentina. É barato, tranquilo e sai completamente do lugar comum. Água quente em qualquer torneira garante o conforto, água corrente nos ouvidos facilita o relaxamento. Somado a pães caseiros, geléias naturais, e outras comidinhas pouco industrializadas, bem fáceis de encontrar por aqueles lados, fica um luxo “campeiro”. Da melhor qualidade.
Naquela região de Bariloche, florida que só, fomos além: acompanhados de amigos escaladores passamos uma semana em cima da montanha, ao redor do Refúgio Emílio Frey, um parque de diversões a céu aberto para todas as idades, mas não qualquer disposição. Começando pelo acesso, uma trilha com cerca de 10 quilômetros e ascensão bastante exigente. Levamos sete horas para subir, com paradas para banho gelado de rio e lanchinhos, e correu tudo mais que bem. As mochilas foram levadas por cavalos. O tempo bom facilitou a vida e lá em cima, durante esses poucos e intensos dias, exercemos toda delícia de ser criança, interagindo com lagos, gelo, montanha, rochas, bosques e partilha: de tempo, comida, espaço e humores.
Com a ajuda dos meninos, bastantes experientes na Patagônia, montamos um acampamento isolado mas com estrutura de primeira. As crianças, que já têm bastante contato com esse tipo de programa, estavam muito à vontade e chamavam atenção por onde passavam. Esse passeio não é recomendado para quem não tem experiência em montanha, e é preciso estar preparado para qualquer imprevisto, como uma mudança de tempo abrupta. Não é muito comum encontrar brasileiros com crianças montanha acima, mas os europeus têm muito essa cultura, carregam os filhos para qualquer lado, é natural.
Não é possível descrever em tão poucas palavras a felicidade desse crescimento compartilhado, mas se pudéssemos dar uma dica de viagem seria: mudança de perspectiva. Não adianta sair, se levarmos tudo junto. Precisamos estar abertos a experimentar o novo e testar nossos limites, nossa capacidade de riso e de improviso. Os filhos são ótimos parceiros para isso, ainda não criaram tantos padrões de comportamento. A maior prova que dá certo é o brilho no olhar. E isso não é frase de efeito nem poesia barata."









segunda-feira, 9 de maio de 2011

Das mães


Amo a maternidade, mas não pinto ela de rosa



Patagônia Argentina, janeiro 2011


Quanto maior a facilidade, menor a  recompensa.
Passo a passo. Um dia de cada vez. E é pra frente que se anda.

A todas as mães, em todos os dias, o nosso RESPEITO.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Valores


Ela chegou na praia, e do auge dos seus cinco anos ficou franzidamente incomodada com o lixo que encontrou ali, bem no seu exato lugar de sentar. Não reclamou da falta de. Educação, lixeiras, bom senso.


Seu incômodo se deu simplesmente porque ela VIU aquilo ali.


Não havia outra coisa a fazer senão juntar, e andar alguns metros até encontrar um destino correto.

domingo, 24 de abril de 2011

Feliz todo-dia2!

Todos os dias morrer. E todos os dias renascer.









Feliz todo-dia!

Um banho de sol
Um dia preguiçoso
Dar-se um presente "inesperado"
Receber (e oferecer) um abraço apertado

Toda hora é hora de reinventar
E re-nascer
Dentro e fora de nós mesmos.

Feliz Páscoa
Diariamente!

terça-feira, 19 de abril de 2011

Fruta do pé!

"A gente é do tempo que criança se criava na rua e na natureza subindo em árvores, comendo fruta do pé, e é assim que graças ao lugar onde eu tô morando posso educar minha pequena". Dimas Campos




Colaboração do nosso amigo Dimas Campos, especialmente para o crianaestrada!

terça-feira, 12 de abril de 2011

Lara e o caderninho



* Por Rodrigo Stüpp 

A Lara e o Davi dificilmente vão se conhecer pessoalmente. Porque ela é uns oito anos mais velha do que ele. Porque ela é espanhola e vive na Europa e ele no Brasil. E porque eu,burraldo, não peguei um contato sequer do pai dela, um francês cabeça aberta que deu um presentão de aniversário àquela loirinha sorridente.

Mas eu acho que eles, de algum jeito, estão ligados. A criação da Lu,de quem sou fã, vai fazer deles pessoas com, no mínimo, duas coisas em comum: paixão pelo desconhecido e uma aversão natural à rotina entendiante.

Lara completou oito anos, e eles foram viajar um mês de trem pela Europa. Nos encontramos na cabine que dividiríamos com um chinês e um coreano. Foi em um trem de Munique, no Sul da Alemanha, até Veneza, na Itália, no meu mochilão de abril de 2010.

Naquele aperto de dois triliches todos foram muito simpáticos. A Lara tinha aquele olhar de criança esperta, curiosa. Quando entrei, estatelou e olhou para o pai, que disse em espanhol

- Muy grande, sí!

Lara não se intimidou com meus 1,90m. Eu sorrii para eles, larguei as minhas coisas e disse que a cama do meu lado seria de um amigo meu, que não conseguiu viajar. Ela poderia escolher a que preferisse.

A espanholinha não deu muita bola. Quando sentei, tirou o caderninho, olhou para o pai, como quem pedia aprovação. Ele só acenou que sim com a cabeça.

Sentou do meu lado, e num inglês perfeito, me perguntou se eu poderia, por gentileza, ajudá-la com seu caderninho de línguas.

Funcionava assim: cada vez que encontrava uma pessoa que de um lugar diferente, que ainda não tinha encontrado, pedia para que escrevesse, de zero a dez, os números na minha língua. A pronúncia também era escrita. 

Lara repetiu fácil, e se animou com a semelhança com o espanhol. Abaixo, deixei um recado, em português e inglês. Não me lembro exatamente das palavras, mas era algo com esse espírito de viajar, conhecer, descobrir e se encantar.

Ela ainda me perguntou algumas palavras em português. Ela conhecia, claro, mas não compreendia como alguém de tão longe de Portugal também falava.

Pensei o óbvio: que coisa boa vai ser conviver com essa menina quando ela decidir sozinha o que quer. Experiências de vida, reflexos, visões de mundo.

Se eu tiver grana, e se eu tiver filho, desculpe amigo espanhol, mas vou querer fazer igual!

* O autor é jornalista, mochileiro convicto e amigo do Crianaestrada


domingo, 10 de abril de 2011

Não é surreal???

Aprender a andar de bicicleta, amarrar os cadarços, nadar. Todas essas atividades importantes na infância perderam espaço para a tecnologia, segundo uma pesquisa feita em sete países. O estudo mostra que crianças sabem mais como jogar no computador, usar um smartphone (celular inteligente) ou acessar um navegador de internet do que realizar atividades simples do cotidiano.

O levantamento, feito pela empresa de segurança virtual AVG, indica que 58% das crianças entre dois e cinco anos de idade sabem como se divertir com um jogo básico de computador – em países como Reino Unido e França, esse índice supera os 70%. Em comparação, apenas 43% dos pequenos nessa faixa etária sabem andar de bicicleta.


Gente, eu tô ficando velha ou isso é, de fato, surreal??? Pelamor, vamos andar de bicicleta, levar ao parque, à praia, à montanha. Vamos tomar vento na cara, tomar banho de chuva, de mar, de cachoeira. Vamos ficar corados do sol. Vamos ser felizes também ao ar livre?! CRIANAESTRADA já!

Ao ar livre









sábado, 2 de abril de 2011

argentina feelings

Passamos um mês viajando de mochila pela Argentina. Surpreendentemente ainda não estão aqui as fotos e relatos de viagem. Viagem demora pra assentar em mim. Em nós. E parece que esse tempo quieto é necessário para absorver a tanta informação da forma mais profunda possível. Devagarinho vamos trazendo um pouco da densa experiência que vivemos naqueles 30 dias, nós quatro, em família, tendo a barraca como a casa e a casa nas costas. Estava tudo ali, em duas mochilonas e duas mochilinhas: nossas quatro "camas" e cobertas; nosso teto; nossa cozinha com jogo de panelas e dois "fogões"; nossas roupas, quentes, frias, de banho; nossos livros e equipamentos, nossa pouca expectativa e delineamento da rota. Todo nosso amor estava ali, e por isso foi tão lá longe no peito. Não lembro de outro período em que estivéssemos convivendo de forma tão estreita durante tanto tempo. Aprender a dividir espaço, medos, confiança, humor e comida. Aprender a dividir a vida. Eis a grande tarefa que temos por aqui.

Compartilho a Especial que escrevi para o Página3, jornal de Balneário Camboriú. Clica Aqui!

Davizoca e Sara Lee, Carol e Denis. Epuyén, Argentina. 2011, janeiro.