sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Sangam*

Morro do Anhangava, PR, Brasil. maio 2010.
Dez pés e um só tapete.

*Sangam é uma palavra em sânscrito e significa "caminhando juntos"; ou "confluência"; ou ainda "reunir-se em boa companhia".

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Pra sempre

"Nunca se recupera de uma infância feliz"
Maria Filomena Cándido



Lagoa, água doce. 
Sítio da Dayse, Camboriú, SC, Brasil. 

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Café com leite pras crias


Achei o máximo que a estréia das meninas na escalada em rocha tenha sido numa via chamada Café com Leite, na Praia Brava, Itajaí. Sara tem 4, Joana 6, e elas têm apelido estiloso de aventureiras, é a Sara Lee (às vezes Sara Lee Johnson), e a Djoeine. Já faz uns meses isso, mas mexendo nas fotos e com barulhinho de chuva me inspirei a postar. Naquele dia começou um chuvisco insistente e as duas rapidamente inventaram um mantra:

"Chuva pára chuva pára pra gente poder escalar".



Amei. Agradecimento especial ao "dindo" Rogemiro Soledade, o Roger, anos e anos de molecagem. E sempre pronto pra brincar.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A tristeza das crianças

Relato de Bernardo Mussi, mergulhador de Salvador, que levou sua filha de dez anos e a amiguinha para passear e -sem querer- constatar uma triste realidade, que, infelizmente, não é exceção daquela praia.


Conhecem aquela história né? Em vez de pensar em deixar um planeta melhor pros filhos (tá difícil viu?), deixar filhos melhores para o planeta. Comece agora. Parabéns Bernardo!








"Depois que escrevi O Fundo da Folia falando sobre a enorme quantidade de latinhas de cerveja e refrigerantes encontradas no fundo do mar após o carnaval, com a repercussão mundial que a matéria teve, pensei que as coisas fossem melhorar este ano. Estava enganado.

Hoje, em plena primavera, fui mergulhar com minha filha de 10 anos e uma coleguinha de escola da mesma idade para mostrar-lhes as belezas do fundo do mar na região da Barra. Não imaginava que presenciaria, ainda nesta época do ano, um festival de latinhas fazendo a prévia do verão e dos eventos que se aproximam.

Fiquei surpreso pelo achado. Sem os eventos, mas com uma população flutuante bastante numerosa na Barra durante os dias de sol, uma multidão de ambulantes se instala por todos os espaços disponíveis na orla do bairro para fomentar um costume que tem se tornado cada vez mais nocivo ao meio ambiente e a nossa cultura, que é o consumo exagerado de bebidas alcoólicas na praia.

Basta olhar o que a maioria dos ambulantes vende como carro chefe, e mais ainda o que encontramos no fundo do mar. É impressionante a quantidade de latas de cerveja que se amontoam em determinados locais. Não há outro material descartado, outro tipo de lixo, que se compare ao volume do que vemos nestas áreas submersas.

Minha filha e sua coleguinha ficaram decepcionadas quando viram a concentração destes resíduos em meio à vida marinha. Aliás, não há quem não consiga esboçar alguma reação ao ver cenas tão marcantes, ao vivo e a cores. Cenas que nos fazem refletir sobre a gravidade da atual situação da educação e saúde da nossa gente, e também da falta de uma ação eficaz dos órgãos públicos.

As crianças ficaram um bom tempo olhando com atenção aquelas latinhas rolando ao sabor das correntes. Depois de um tempo, subiram na prancha de surf que levo como apoio e começaram a me questionar algumas óbvias considerações sobre o assunto.

Perguntaram-me como é que as latinhas conseguem ficar agrupadas daquela maneira. Respondi que na verdade elas acabam encalhando em algumas “valas” submarinas após serem levadas do raso para o fundo com o movimento das marés.

Queriam saber os motivos pelos quais não víamos com freqüência outros tipos de resíduos poluentes além das latinhas de cerveja. Mostrei ainda de dentro d’água a quantidade de ambulantes vendendo a bebida nas areias e calçadas, e a multidão de pessoas consumindo o produto que custa o preço de uma garrafa de água mineral.

Questionaram-me sobre os impactos negativos na vida marinha. Afirmei sem a menor dúvida que aquilo poderia ser uma das razões para que seus filhos ou netos, em futuro próximo, jamais tivessem a oportunidade de contemplar os peixes que estávamos vendo, os corais, aquelas águas cristalinas.

Só não consegui responder a mais óbvia das perguntas: por que ninguém faz nada?

Engoli seco, pensei rápido e a única coisa que passou em minha cabeça foi o próprio sentimento de que todas as ações que havia feito até ali, incluindo O Fundo da Folia no Carnaval deste ano, não surtiram efeito algum. Fiquei de responder depois, e seguimos nosso mergulho.

Mais adiante encontramos novos focos de latinhas e em todos estes momentos as crianças paravam para comparar a quantidade e a marca das embalagens. Achei aquilo de uma importância fenomenal para a formação da consciência daquelas futuras brasileirinhas em favor da educação e saúde da nossa gente.

Depois de quase duas horas mergulhando saímos do mar. Naquele momento, ao chegar à beira da praia e começar a andar pelas areias lotadas de gente se fartando de comidas e bebidas em meio a um turbilhão de ambulantes, percebi que as crianças entenderam a minha falta em relação àquela pergunta que havia ficado sem reposta.

As latas que estavam no fundo do mar estavam bem ali, por toda a areia, espalhadas como reflexo de uma cultura de praia pouco saudável e completamente deseducada. O costume do consumo exagerado de bebidas alcoólicas em Salvador já venceu a força dos órgãos públicos e aos poucos vai vencendo a resistência do meio ambiente.

Mas há esperança enquanto mentes de anjo, como daquelas crianças, puderem ter a oportunidade de vivenciar experiências assim para compartilhar em seus mundos, em suas escolas, em suas vidas.

Só não há razão para continuarmos sem saber os motivos pelos quais ninguém consegue fazer nada que consiga reverter este quadro lamentável na raiz do problema. Não há mais época do ano em que o cenário fique livre de tantas latinhas.

Para a tristeza de nossas crianças…

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Verdade seja dita!

"O homem quando filho, deve lapidar seu próprio destino, iluminando seus caminhos com as verdades que aprendeu no lar, porque querer bem um filho não significa obrigá-lo a viver com nossas verdades. Querer bem um filho significa ajudá-lo a crescer, ajudá-lo a crescer sem nossas mentiras."

Dante Ramon Ledesma
(colaboração de Adão Pinheiro para o crianaestrada)


segunda-feira, 15 de novembro de 2010

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Definição da Sara Lee, 4, pro Michael Jackson, quando perguntei se ela sabia que ele morreu. E do que ele morreu.

"Seei sim, claro que sei.
Ele era preto, queria ser branco, tomou muito remédio e morreu".

Veio chipada.

sábado, 6 de novembro de 2010

Yael na estrada!

Colaboração da Gabriela Maraschin*



Quando temos um filho, queremos dar o melhor para ele. 

E o melhor que eu posso dar para a minha filha é o mundo. Por isso, Yael já nasceu com o pé na estrada. Prestes a completar 5 meses, carimbou o passaporte pela primeira vez e encarou um mochilão pela Itália, país de sua família materna. Me surpreendi com a curiosidade e a parceria deste serzinho tão pequeno. É claro que a companhia e o apoio da "nona" foram fundamentais para o sucesso desta primeira aventura, que acabou por aprofundar muito os laços mãe-neta-avó. 

Iniciada na estrada, Yael partiu para sua segunda prova de fogo aos 15 meses de idade: uma viagem da França até o fim da Terra, o Finistério, lá onde a Espanha faz a curva. Foram mais de 3 mil quilômetros vivendo numa van, dormindo na beira da praia, no alto de montanhas e campos. Foi também nossa primeira viagem juntos, eu, Yael e o pai dela. Pegamos muitos dias frios e com chuva. Foi difícil ficar presa dentro do carro com um bebê, achar lugar para tomar banho, fazer comida. Nos estressamos! Mas percebemos que, não demora muito, o sol brilha. E quando ele brilha é hora de aproveitar. Yael viu de pertinho vários animais que só conhecia dos livrinhos, aprendeu algumas palavras em espanhol, tomou banho de mar gelado dando risada, mergulhou, pisou em areias com várias texturas (fofa, de pedrinhas, de conchinhas quebradas), provou comidas diferentes, explorou pracinhas e brinquedos novos, viu cidade grande, vilarejos perdidos, mato, morro, campo e praia. Andou de pé de descalço, se sujou, tomou banho de panela e nas duchas das praias. Comeu doce, peixe fresco e aprendeu a ficar de pé na prancha do pai. Dormiu debaixo do céu mais estrelado que já vi nos meus 30 anos de vida. E como foi bom fazer isso com ela. Nessas três semanas, minha filha ficou solta e cresceu. Fez todas as refeições sem sua cadeirinha de bebê, dormiu longe do seu bercinho, tomou banho fora de sua banheirinha e nada disso fez falta. Ao contrário, vi Yael se encantar, encher seus olhinhos e alimentar seu espírito.

Meu bebê virou uma menininha. E agora, já em casa, entendi que quem aprendeu com esta viagem, não foi ela, mas eu. Yael me ensinou a me abrir sem preconceitos para o mundo. 

*Gabriela Maraschin é brasileira que mora na França, jornalista, mãe de Yael.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Pouco tempo para a natureza

"Apenas um terço das mães passeia com os filhos ao ar livre"

Chama atenção a matéria publicada pela revista Época, que mostra que as crianças querem mais vida ao ar livre, contato com plantas e bichos, mas "a falta de tempo e a insegurança dos adultos a impedem".

Ter filho exige tempo, dedicação, paciência e sobretudo consciência. Não é uma obrigação, embora assim pareça - devido aos padrões sociais de vida e família a que estamos acostumados desde pequenos.Mas existe outro caminho possível! Se não tem tempo NÃO TENHA FILHOS. É crueldade sujeitar seres dependentes da boa vontade dos outros a uma vida dentro de quatro paredes, ou dentro de shoppings, ou dentro de elevadores, ou em frente a caixas animadas. Uma vida longe de SI MESMO. Exige reflexão.

Leia a matéria aqui ó.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Tudo pode ser brincadeira!

"Santo Agostinho não usou a palavra “brinquedo”. Sou eu quem a usa porque não encontro outra mais apropriada. Armar quebra-cabeças, empinar pipa, rodar pião, jogar xadrez, bilboquê, jogar sinuca, dançar, ler um conto, ver caleidoscópio: não levam a nada. Não existem para levar a coisa alguma. Quem está brincando já chegou. Comparem a intensidade das crianças ao brincar com o seu sofrimento ao fazer fichas de leitura! Afinal de contas, para que servem as fichas de leitura? São úteis? Dão prazer? Livros podem ser brinquedos?

O inglês e o alemão têm uma felicidade que não temos. Têm uma única palavra para se referir ao brinquedo e à arte. No inglês, play. No alemão, spielen. Arte e brinquedo são a mesma coisa: atividades inúteis que dão prazer e alegria. Poesia, música, pintura, escultura, dança, teatro, culinária: são todas brincadeiras que inventamos para que o corpo encontre a felicidade, ainda que em breves momentos de distração, como diria Guimarães Rosa.

Esse é o resumo da minha filosofia da educação. Resta perguntar: os saberes que se ensinam em nossas escolas são ferramentas? Tornam os alunos mais competentes para executar as tarefas práticas do cotidiano? E eles, alunos, aprendem a ver os objetos do mundo como se fossem brinquedos? Têm mais alegria? Infelizmente não há avaliações de múltipla escolha para se medir alegria..." (Rubem Alves)

Quintal, mágico
Clica em cima pra ver o álbum!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

"Fazer você, se fazer"

Essa foi a capa do caderno do Dia das Crianças do Página3, jornal de Balneário Camboriú, que convidou algumas crianças a mostrarem através de desenhos ou frases o que é ser criança. Achei SEN SA CIO NAL a forma que o moleque se expressou. CRIA cria!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Para ser crianaestrada

Para ser crianaestrada é preciso muito mais do que a estrada. É preciso um quintal com grama, pedrinhas e flores. Cachorro, casa na árvore, espaço para correr. É preciso uma banheira, uma esponja e um barquinho de papel.


Para ser crianaestrada é preciso pais atentos e sensíveis, que montam cabaninhas com lençóis floridos, contam história sob a luz da lanterna e ainda dormem com a cria embaixo na cabana, bem no meio da sala bagunçada. Destes que fazem bolo de chocolate no domingo de chuva, que inventam brincadeiras com fantoches de pano, levam para correr no parque, na praia, no mato, carregam a cria na mochila para uma viagem inesperada.



Trio parada dura

Banho é bom até na pia


Oie
 
Para ser crianaestrada é preciso bem mais do que ser cria. É preciso pés descalços, um moletom velho, um carrinho de madeira, uma ladeira, um arranhão no joelho esquerdo. E no direito também. É preciso liberdade, mas também limites. Nascer e pôr-do-sol, mas também horas de sono. Se sujar da cabeça aos pés, mas banho no final do dia.

Para ser crianaestrada, é preciso vida. Lá fora. Tendo o sol como luminária. O vento no rosto e mais um monte de coisa que só tem lá fora.


  
Ladeeeeeira

Obra de arte


Descobrindo



* As crianças João, 5 anos, e Olivia, 2, são as crianaestradas do Alexandre e da Larissa Kammer, pais sensíveis, viajantes, que sabem o quanto uma infância feliz é fundamental

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Todo dia é dia!

Aqui em casa, não sei desde quando, a gente tem uma filosofia de que Dia das Crianças é data de fazer passeio, ir pro mato, pra praia, pra montanha, sei lá o que, menos pra dentro de um shopping cair no padrão fácil de que pra marcar a data precisa de um presente da moda.

Sem subestimar a capacidade infantil de entendimento, explicamos que a intenção do tal dia é comercial e que podemos, se quisermos, transformar num dia especial (apesar de que todo dia é dia) que será marcado pela essência de ser "quirança": vendo coisas novas, deliciando-se com um bolo de chocolate, pintando, correndo, mergulhando, brincando. Fora da caixa!

As vós, e tias, e quase-todo-mundo dizem "coitadinhos deles", mas é aqui nasceram, receberam o corpo e o lar que precisavam, e aqui, nesse lar, vivemos de acordo com as nossa crenças. Agradecemos os presentinhos com um muito obrigado, e o melhor mesmo é estar junto.

Esse ano não teve trip, a faxina de início de estação da casa está durando dias, mas teve um fim de semana prolongado com muita praia, amigos, bola, piquenique no mato, e bolo. E o melhor - tudo idéia deles e feito por eles! Como disse meu parceiro de vida, "nossa casa está sempre muito cheia de crianças". E graças a DEUS!

Fui buscar nas minhas gavetas bagunçadas fotos de passeios que fizemos nos dias das crianças e cheguei à conclusão de que todo dia é dia, REALMENTE. Tem muita coisa. Selecionei essas, outubro de 2009, Mariscal, Bombinhas, SC, pertinho de casa, e que teve muita cria criando junto.

Do surfe: Pedro, 5, Sara, 3, Joana, 5, Gabriel, 6, Davi, 9, e Anna, 9. Hoje todos eles um ano mais velhos, rs.
Pedro, Costão Mariscal, 2009
Nesse dia especificamente o Pedro estava muito emocionado porque estava subindo "sua primeira montanha", que foi o Morro do Mirante no Mariscal. Fico feliz de ter participado desse momento.
Muito feliz.
Sara Lee tá em casa.

Davizoca

Acordando pra mais um dia de crianças. E como é bom.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Dia de bike

Feriado de sol. Praia Brava. Dia de bike. Ventinho gostoso no rosto, aquele ar marítimo anunciando o verão. OK, OK, preciso me render aos poucos encantos dele (o verão). Dias com hoje, né? Se bem que ainda é Primavera (mas com ares de verão). :-)

Será que a cria curtiu? E será que existe presente mais precioso para um Dia das Crianças do que atenção, um colinho, um solzinho, um passeio de bike?


Sol, lindo sol

Sóis

Casa nas costas

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Cria!

"Quanto menos pronto estiver o brinquedo, mais enriquecedora será a brincadeira" Raquel Testoni



quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Três coisas para qual eu nasci

"Há três coisas para as quais eu nasci e para as quais eu dou a minha vida. Nasci para amar os outros, nasci para escrever, e nasci para criar meus filhos. O "amar os outros" é tão vasto que inclui até o perdão para mim mesma com o que sobra. As três coisas são tão importantes que minha vida é curta para tanto. Tenho que me apressar, o tempo urge. Não posso perder um minuto do tempo que faz minha vida. Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca.

E nasci para escrever. A palavra é meu domínio sobre o mundo. Eu tive desde a infância várias vocações que me chamavam ardentemente. Uma das vocações era escrever. E não sei por quê, foi esta que eu segui. Talvez porque para outras vocações eu precisaria de um longo aprendizado, enquanto que para escrever o aprendizado é a própria vida se vivendo em nós e ao redor de nós. É que não sei estudar. E, para escrever, o único estudo é mesmo escrever. Adestrei-me desde os sete anos de idade para que um dia eu tivesse a língua em meu poder. E no entanto cada vez que eu vou escrever, é como se fosse a primeira vez. Cada livro meu é uma estréia penosa e feliz. Essa capacidade de me renovar toda à medida que o tempo passa é o que eu chamo de viver e escrever.

Quanto aos meus filhos, o nascimento deles não foi casual. Eu quis ser mãe. Meus dois filhos foram gerados voluntariamente. Os dois meninos estão aqui, ao meu lado. Eu me orgulho deles, eu me renovo neles, eu acompanho seus sofrimentos e angústias, eu lhes dou o que é possível dar. Se eu não fosse mãe, seria sozinha no mundo. Mas tenho uma descendência, e para eles no futuro eu preparo meu nome dia a dia. Sei que um dia abrirão as asas para o vôo necessário, e eu ficarei sozinha: é fatal, porque a gente não cria os filhos para a gente, nós os criamos para eles mesmos. Quando eu ficar sozinha, estarei seguindo o destino de todas as mulheres.

Sempre me restará amar. Escrever é alguma coisa extremamente forte mas que pode me trair e me abandonar: posso um dia sentir que já escrevi o que é meu lote neste mundo e que eu devo aprender também a parar. Em escrever eu não tenho nenhuma garantia.

Ao passo que amar eu posso até a hora de morrer. Amar não acaba. É como se o mundo estivesse a minha espera. E eu vou ao encontro do que me espera."
(Clarice Lispector)

Pra pensar

"Os adultos deveriam saber, sempre é tempo para inventar uma infância" (Fabrício Carpinejar)

Renazinho Gradaschi, eterno amigo-irmão mais novo, comendo balinha de gengibre, ''capivarando" e pensando na vida.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Lá!

"Para captar tantas coisas maravilhosas ditas pelas crianças é só ter ouvidos de ouvir criança"* (Clarice Lispector)


* colaboração da nossa amiga Lú Altmann via twitter ("lembrei do crianaestrada")

Inspiração

Boa semana para todas as crias na estrada!



Given Goodwin, com dois anos incompletos, surfa com a mãe Daize Shayne Goodwin, campeã mundial de longboard (1999 e 2009) em Waikiki, Hawaii.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Ver o mundo duas vezes!

Viajar com as crianças não é só levar para passear. É ter possibilidade de enxergar o mundo duas vezes, sob dois pontos de vista bem diferentes, o seu e o da criança. Se for com mais de um filho então, esta possibilidade triplica, quadruplica.

Claro que é necessário mais tempo, mais paciência (afinal, crianças andam mais devagar para observarem TUDO no caminho e não perderem nada), e mais dedicação. Mas elas são infinitamente mais atentas do que nós aos detalhes, mais abertas ao novo, menos consumistas.



Viajar é uma das maneiras mais eficientes de educar, de ensinar ecologia, companheirismo, diferenças de mundo e respeito ao próximo. O cenário que muda diariamente, os diferentes idiomas, sotaques, moedas, culinária, vestimentas, costumes. Elas captam cada energia do que vêem pela frente, com os cinco sentidos muito atentos, interpretando sem parar.

Os momentos mais felizes que tenho da infância são os das viagens com meus pais, o nariz espalmado na janelinha do carro e do avião, com os olhos atentos no que estava por vir.



É como diz a Carol, tem MUITA COISA NESTE MUNDO que os filhos precisam ver. O Alaska por exemplo. Planejava ir até 2012, no máximo. Mas já decidi adiar a viagem alguns anos para que o Davi vá comigo e lembre mais tarde do que viu. Para entender a força e a beleza daquilo tudo. Se eu fosse sem ele, me arrependeria para o resto da vida. Certeza! É um dos lugares deste mundo que PRECISAMOS ver juntos, lado a lado, companheiros de viagem.

Lindo o texto do Pablo Buciarelli. Lindo o sonho de levar os filhos para a trilha inca. Linda a lucidez de saber o quanto isso é importante para a formação deles, para as lembranças de vida, para a arte de respirar o universo. Sejamos mais “estrangeiros” neste quesito. Em qualquer destino de viagem, é comum ver bebês colo, nos slings com os pais, felizes da vida, sem complicações. Há sempre uma minoria de brasileiros com seus pequenos. Acham “incômodo” viajar com crianças. É cultural.

Sejamos mais crianaestrada. Em qualquer idade. ;-)