"O homem quando filho, deve lapidar seu próprio destino, iluminando seus caminhos com as verdades que aprendeu no lar, porque querer bem um filho não significa obrigá-lo a viver com nossas verdades. Querer bem um filho significa ajudá-lo a crescer, ajudá-lo a crescer sem nossas mentiras."
Dante Ramon Ledesma
(colaboração de Adão Pinheiro para o crianaestrada)
"A vida é uma aventura aberta, exposta. Não protejam as crianças. Fortifiquem-nas interiormente para que brinquem bem com qualquer espécie de brinquedo." Emmanuel Mounier
terça-feira, 16 de novembro de 2010
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
sábado, 6 de novembro de 2010
Yael na estrada!
Colaboração da Gabriela Maraschin*
Quando temos um filho, queremos dar o melhor para ele. E o melhor que eu posso dar para a minha filha é o mundo. Por isso, Yael já nasceu com o pé na estrada. Prestes a completar 5 meses, carimbou o passaporte pela primeira vez e encarou um mochilão pela Itália, país de sua família materna. Me surpreendi com a curiosidade e a parceria deste serzinho tão pequeno. É claro que a companhia e o apoio da "nona" foram fundamentais para o sucesso desta primeira aventura, que acabou por aprofundar muito os laços mãe-neta-avó.
Iniciada na estrada, Yael partiu para sua segunda prova de fogo aos 15 meses de idade: uma viagem da França até o fim da Terra, o Finistério, lá onde a Espanha faz a curva. Foram mais de 3 mil quilômetros vivendo numa van, dormindo na beira da praia, no alto de montanhas e campos. Foi também nossa primeira viagem juntos, eu, Yael e o pai dela. Pegamos muitos dias frios e com chuva. Foi difícil ficar presa dentro do carro com um bebê, achar lugar para tomar banho, fazer comida. Nos estressamos! Mas percebemos que, não demora muito, o sol brilha. E quando ele brilha é hora de aproveitar. Yael viu de pertinho vários animais que só conhecia dos livrinhos, aprendeu algumas palavras em espanhol, tomou banho de mar gelado dando risada, mergulhou, pisou em areias com várias texturas (fofa, de pedrinhas, de conchinhas quebradas), provou comidas diferentes, explorou pracinhas e brinquedos novos, viu cidade grande, vilarejos perdidos, mato, morro, campo e praia. Andou de pé de descalço, se sujou, tomou banho de panela e nas duchas das praias. Comeu doce, peixe fresco e aprendeu a ficar de pé na prancha do pai. Dormiu debaixo do céu mais estrelado que já vi nos meus 30 anos de vida. E como foi bom fazer isso com ela. Nessas três semanas, minha filha ficou solta e cresceu. Fez todas as refeições sem sua cadeirinha de bebê, dormiu longe do seu bercinho, tomou banho fora de sua banheirinha e nada disso fez falta. Ao contrário, vi Yael se encantar, encher seus olhinhos e alimentar seu espírito.
Meu bebê virou uma menininha. E agora, já em casa, entendi que quem aprendeu com esta viagem, não foi ela, mas eu. Yael me ensinou a me abrir sem preconceitos para o mundo.
*Gabriela Maraschin é brasileira que mora na França, jornalista, mãe de Yael.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Pouco tempo para a natureza
"Apenas um terço das mães passeia com os filhos ao ar livre"
Chama atenção a matéria publicada pela revista Época, que mostra que as crianças querem mais vida ao ar livre, contato com plantas e bichos, mas "a falta de tempo e a insegurança dos adultos a impedem".
Ter filho exige tempo, dedicação, paciência e sobretudo consciência. Não é uma obrigação, embora assim pareça - devido aos padrões sociais de vida e família a que estamos acostumados desde pequenos.Mas existe outro caminho possível! Se não tem tempo NÃO TENHA FILHOS. É crueldade sujeitar seres dependentes da boa vontade dos outros a uma vida dentro de quatro paredes, ou dentro de shoppings, ou dentro de elevadores, ou em frente a caixas animadas. Uma vida longe de SI MESMO. Exige reflexão.
Leia a matéria aqui ó.
Chama atenção a matéria publicada pela revista Época, que mostra que as crianças querem mais vida ao ar livre, contato com plantas e bichos, mas "a falta de tempo e a insegurança dos adultos a impedem".
Ter filho exige tempo, dedicação, paciência e sobretudo consciência. Não é uma obrigação, embora assim pareça - devido aos padrões sociais de vida e família a que estamos acostumados desde pequenos.Mas existe outro caminho possível! Se não tem tempo NÃO TENHA FILHOS. É crueldade sujeitar seres dependentes da boa vontade dos outros a uma vida dentro de quatro paredes, ou dentro de shoppings, ou dentro de elevadores, ou em frente a caixas animadas. Uma vida longe de SI MESMO. Exige reflexão.
Leia a matéria aqui ó.
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Tudo pode ser brincadeira!
"Santo Agostinho não usou a palavra “brinquedo”. Sou eu quem a usa porque não encontro outra mais apropriada. Armar quebra-cabeças, empinar pipa, rodar pião, jogar xadrez, bilboquê, jogar sinuca, dançar, ler um conto, ver caleidoscópio: não levam a nada. Não existem para levar a coisa alguma. Quem está brincando já chegou. Comparem a intensidade das crianças ao brincar com o seu sofrimento ao fazer fichas de leitura! Afinal de contas, para que servem as fichas de leitura? São úteis? Dão prazer? Livros podem ser brinquedos?
O inglês e o alemão têm uma felicidade que não temos. Têm uma única palavra para se referir ao brinquedo e à arte. No inglês, play. No alemão, spielen. Arte e brinquedo são a mesma coisa: atividades inúteis que dão prazer e alegria. Poesia, música, pintura, escultura, dança, teatro, culinária: são todas brincadeiras que inventamos para que o corpo encontre a felicidade, ainda que em breves momentos de distração, como diria Guimarães Rosa.
Esse é o resumo da minha filosofia da educação. Resta perguntar: os saberes que se ensinam em nossas escolas são ferramentas? Tornam os alunos mais competentes para executar as tarefas práticas do cotidiano? E eles, alunos, aprendem a ver os objetos do mundo como se fossem brinquedos? Têm mais alegria? Infelizmente não há avaliações de múltipla escolha para se medir alegria..." (Rubem Alves)
Clica em cima pra ver o álbum!
O inglês e o alemão têm uma felicidade que não temos. Têm uma única palavra para se referir ao brinquedo e à arte. No inglês, play. No alemão, spielen. Arte e brinquedo são a mesma coisa: atividades inúteis que dão prazer e alegria. Poesia, música, pintura, escultura, dança, teatro, culinária: são todas brincadeiras que inventamos para que o corpo encontre a felicidade, ainda que em breves momentos de distração, como diria Guimarães Rosa.
Esse é o resumo da minha filosofia da educação. Resta perguntar: os saberes que se ensinam em nossas escolas são ferramentas? Tornam os alunos mais competentes para executar as tarefas práticas do cotidiano? E eles, alunos, aprendem a ver os objetos do mundo como se fossem brinquedos? Têm mais alegria? Infelizmente não há avaliações de múltipla escolha para se medir alegria..." (Rubem Alves)
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| Quintal, mágico |
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
"Fazer você, se fazer"
Essa foi a capa do caderno do Dia das Crianças do Página3, jornal de Balneário Camboriú, que convidou algumas crianças a mostrarem através de desenhos ou frases o que é ser criança. Achei SEN SA CIO NAL a forma que o moleque se expressou. CRIA cria!
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Para ser crianaestrada
Para ser crianaestrada é preciso muito mais do que a estrada. É preciso um quintal com grama, pedrinhas e flores. Cachorro, casa na árvore, espaço para correr. É preciso uma banheira, uma esponja e um barquinho de papel.
Para ser crianaestrada é preciso pais atentos e sensíveis, que montam cabaninhas com lençóis floridos, contam história sob a luz da lanterna e ainda dormem com a cria embaixo na cabana, bem no meio da sala bagunçada. Destes que fazem bolo de chocolate no domingo de chuva, que inventam brincadeiras com fantoches de pano, levam para correr no parque, na praia, no mato, carregam a cria na mochila para uma viagem inesperada.
Para ser crianaestrada é preciso bem mais do que ser cria. É preciso pés descalços, um moletom velho, um carrinho de madeira, uma ladeira, um arranhão no joelho esquerdo. E no direito também. É preciso liberdade, mas também limites. Nascer e pôr-do-sol, mas também horas de sono. Se sujar da cabeça aos pés, mas banho no final do dia.
Para ser crianaestrada, é preciso vida. Lá fora. Tendo o sol como luminária. O vento no rosto e mais um monte de coisa que só tem lá fora.
* As crianças João, 5 anos, e Olivia, 2, são as crianaestradas do Alexandre e da Larissa Kammer, pais sensíveis, viajantes, que sabem o quanto uma infância feliz é fundamental
Para ser crianaestrada é preciso pais atentos e sensíveis, que montam cabaninhas com lençóis floridos, contam história sob a luz da lanterna e ainda dormem com a cria embaixo na cabana, bem no meio da sala bagunçada. Destes que fazem bolo de chocolate no domingo de chuva, que inventam brincadeiras com fantoches de pano, levam para correr no parque, na praia, no mato, carregam a cria na mochila para uma viagem inesperada.
| Trio parada dura |
| Banho é bom até na pia |
| Oie |
Para ser crianaestrada é preciso bem mais do que ser cria. É preciso pés descalços, um moletom velho, um carrinho de madeira, uma ladeira, um arranhão no joelho esquerdo. E no direito também. É preciso liberdade, mas também limites. Nascer e pôr-do-sol, mas também horas de sono. Se sujar da cabeça aos pés, mas banho no final do dia.
Para ser crianaestrada, é preciso vida. Lá fora. Tendo o sol como luminária. O vento no rosto e mais um monte de coisa que só tem lá fora.
| Ladeeeeeira |
| Obra de arte |
| Descobrindo |
* As crianças João, 5 anos, e Olivia, 2, são as crianaestradas do Alexandre e da Larissa Kammer, pais sensíveis, viajantes, que sabem o quanto uma infância feliz é fundamental
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Todo dia é dia!
Aqui em casa, não sei desde quando, a gente tem uma filosofia de que Dia das Crianças é data de fazer passeio, ir pro mato, pra praia, pra montanha, sei lá o que, menos pra dentro de um shopping cair no padrão fácil de que pra marcar a data precisa de um presente da moda.
Sem subestimar a capacidade infantil de entendimento, explicamos que a intenção do tal dia é comercial e que podemos, se quisermos, transformar num dia especial (apesar de que todo dia é dia) que será marcado pela essência de ser "quirança": vendo coisas novas, deliciando-se com um bolo de chocolate, pintando, correndo, mergulhando, brincando. Fora da caixa!
As vós, e tias, e quase-todo-mundo dizem "coitadinhos deles", mas é aqui nasceram, receberam o corpo e o lar que precisavam, e aqui, nesse lar, vivemos de acordo com as nossa crenças. Agradecemos os presentinhos com um muito obrigado, e o melhor mesmo é estar junto.
Esse ano não teve trip, a faxina de início de estação da casa está durando dias, mas teve um fim de semana prolongado com muita praia, amigos, bola, piquenique no mato, e bolo. E o melhor - tudo idéia deles e feito por eles! Como disse meu parceiro de vida, "nossa casa está sempre muito cheia de crianças". E graças a DEUS!
Fui buscar nas minhas gavetas bagunçadas fotos de passeios que fizemos nos dias das crianças e cheguei à conclusão de que todo dia é dia, REALMENTE. Tem muita coisa. Selecionei essas, outubro de 2009, Mariscal, Bombinhas, SC, pertinho de casa, e que teve muita cria criando junto.
Sem subestimar a capacidade infantil de entendimento, explicamos que a intenção do tal dia é comercial e que podemos, se quisermos, transformar num dia especial (apesar de que todo dia é dia) que será marcado pela essência de ser "quirança": vendo coisas novas, deliciando-se com um bolo de chocolate, pintando, correndo, mergulhando, brincando. Fora da caixa!
As vós, e tias, e quase-todo-mundo dizem "coitadinhos deles", mas é aqui nasceram, receberam o corpo e o lar que precisavam, e aqui, nesse lar, vivemos de acordo com as nossa crenças. Agradecemos os presentinhos com um muito obrigado, e o melhor mesmo é estar junto.
Esse ano não teve trip, a faxina de início de estação da casa está durando dias, mas teve um fim de semana prolongado com muita praia, amigos, bola, piquenique no mato, e bolo. E o melhor - tudo idéia deles e feito por eles! Como disse meu parceiro de vida, "nossa casa está sempre muito cheia de crianças". E graças a DEUS!
Fui buscar nas minhas gavetas bagunçadas fotos de passeios que fizemos nos dias das crianças e cheguei à conclusão de que todo dia é dia, REALMENTE. Tem muita coisa. Selecionei essas, outubro de 2009, Mariscal, Bombinhas, SC, pertinho de casa, e que teve muita cria criando junto.
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| Do surfe: Pedro, 5, Sara, 3, Joana, 5, Gabriel, 6, Davi, 9, e Anna, 9. Hoje todos eles um ano mais velhos, rs. |
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| Pedro, Costão Mariscal, 2009 |
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| Nesse dia especificamente o Pedro estava muito emocionado porque estava subindo "sua primeira montanha", que foi o Morro do Mirante no Mariscal. Fico feliz de ter participado desse momento. |
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| Muito feliz. |
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| Sara Lee tá em casa. |
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| Davizoca |
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| Acordando pra mais um dia de crianças. E como é bom. |
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Dia de bike
Feriado de sol. Praia Brava. Dia de bike. Ventinho gostoso no rosto, aquele ar marítimo anunciando o verão. OK, OK, preciso me render aos poucos encantos dele (o verão). Dias com hoje, né? Se bem que ainda é Primavera (mas com ares de verão). :-)
Será que a cria curtiu? E será que existe presente mais precioso para um Dia das Crianças do que atenção, um colinho, um solzinho, um passeio de bike?
Será que a cria curtiu? E será que existe presente mais precioso para um Dia das Crianças do que atenção, um colinho, um solzinho, um passeio de bike?
| Sol, lindo sol |
| Sóis |
| Casa nas costas |
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Três coisas para qual eu nasci
"Há três coisas para as quais eu nasci e para as quais eu dou a minha vida. Nasci para amar os outros, nasci para escrever, e nasci para criar meus filhos. O "amar os outros" é tão vasto que inclui até o perdão para mim mesma com o que sobra. As três coisas são tão importantes que minha vida é curta para tanto. Tenho que me apressar, o tempo urge. Não posso perder um minuto do tempo que faz minha vida. Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca.
E nasci para escrever. A palavra é meu domínio sobre o mundo. Eu tive desde a infância várias vocações que me chamavam ardentemente. Uma das vocações era escrever. E não sei por quê, foi esta que eu segui. Talvez porque para outras vocações eu precisaria de um longo aprendizado, enquanto que para escrever o aprendizado é a própria vida se vivendo em nós e ao redor de nós. É que não sei estudar. E, para escrever, o único estudo é mesmo escrever. Adestrei-me desde os sete anos de idade para que um dia eu tivesse a língua em meu poder. E no entanto cada vez que eu vou escrever, é como se fosse a primeira vez. Cada livro meu é uma estréia penosa e feliz. Essa capacidade de me renovar toda à medida que o tempo passa é o que eu chamo de viver e escrever.
Quanto aos meus filhos, o nascimento deles não foi casual. Eu quis ser mãe. Meus dois filhos foram gerados voluntariamente. Os dois meninos estão aqui, ao meu lado. Eu me orgulho deles, eu me renovo neles, eu acompanho seus sofrimentos e angústias, eu lhes dou o que é possível dar. Se eu não fosse mãe, seria sozinha no mundo. Mas tenho uma descendência, e para eles no futuro eu preparo meu nome dia a dia. Sei que um dia abrirão as asas para o vôo necessário, e eu ficarei sozinha: é fatal, porque a gente não cria os filhos para a gente, nós os criamos para eles mesmos. Quando eu ficar sozinha, estarei seguindo o destino de todas as mulheres.
Sempre me restará amar. Escrever é alguma coisa extremamente forte mas que pode me trair e me abandonar: posso um dia sentir que já escrevi o que é meu lote neste mundo e que eu devo aprender também a parar. Em escrever eu não tenho nenhuma garantia.
Ao passo que amar eu posso até a hora de morrer. Amar não acaba. É como se o mundo estivesse a minha espera. E eu vou ao encontro do que me espera."
E nasci para escrever. A palavra é meu domínio sobre o mundo. Eu tive desde a infância várias vocações que me chamavam ardentemente. Uma das vocações era escrever. E não sei por quê, foi esta que eu segui. Talvez porque para outras vocações eu precisaria de um longo aprendizado, enquanto que para escrever o aprendizado é a própria vida se vivendo em nós e ao redor de nós. É que não sei estudar. E, para escrever, o único estudo é mesmo escrever. Adestrei-me desde os sete anos de idade para que um dia eu tivesse a língua em meu poder. E no entanto cada vez que eu vou escrever, é como se fosse a primeira vez. Cada livro meu é uma estréia penosa e feliz. Essa capacidade de me renovar toda à medida que o tempo passa é o que eu chamo de viver e escrever.
Quanto aos meus filhos, o nascimento deles não foi casual. Eu quis ser mãe. Meus dois filhos foram gerados voluntariamente. Os dois meninos estão aqui, ao meu lado. Eu me orgulho deles, eu me renovo neles, eu acompanho seus sofrimentos e angústias, eu lhes dou o que é possível dar. Se eu não fosse mãe, seria sozinha no mundo. Mas tenho uma descendência, e para eles no futuro eu preparo meu nome dia a dia. Sei que um dia abrirão as asas para o vôo necessário, e eu ficarei sozinha: é fatal, porque a gente não cria os filhos para a gente, nós os criamos para eles mesmos. Quando eu ficar sozinha, estarei seguindo o destino de todas as mulheres.
Sempre me restará amar. Escrever é alguma coisa extremamente forte mas que pode me trair e me abandonar: posso um dia sentir que já escrevi o que é meu lote neste mundo e que eu devo aprender também a parar. Em escrever eu não tenho nenhuma garantia.
Ao passo que amar eu posso até a hora de morrer. Amar não acaba. É como se o mundo estivesse a minha espera. E eu vou ao encontro do que me espera."
(Clarice Lispector)
Pra pensar
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Lá!
"Para captar tantas coisas maravilhosas ditas pelas crianças é só ter ouvidos de ouvir criança"* (Clarice Lispector)
* colaboração da nossa amiga Lú Altmann via twitter ("lembrei do crianaestrada")
* colaboração da nossa amiga Lú Altmann via twitter ("lembrei do crianaestrada")
Inspiração
Boa semana para todas as crias na estrada!
Given Goodwin, com dois anos incompletos, surfa com a mãe Daize Shayne Goodwin, campeã mundial de longboard (1999 e 2009) em Waikiki, Hawaii.
Given Goodwin, com dois anos incompletos, surfa com a mãe Daize Shayne Goodwin, campeã mundial de longboard (1999 e 2009) em Waikiki, Hawaii.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Ver o mundo duas vezes!
Viajar com as crianças não é só levar para passear. É ter possibilidade de enxergar o mundo duas vezes, sob dois pontos de vista bem diferentes, o seu e o da criança. Se for com mais de um filho então, esta possibilidade triplica, quadruplica.
Claro que é necessário mais tempo, mais paciência (afinal, crianças andam mais devagar para observarem TUDO no caminho e não perderem nada), e mais dedicação. Mas elas são infinitamente mais atentas do que nós aos detalhes, mais abertas ao novo, menos consumistas.

Viajar é uma das maneiras mais eficientes de educar, de ensinar ecologia, companheirismo, diferenças de mundo e respeito ao próximo. O cenário que muda diariamente, os diferentes idiomas, sotaques, moedas, culinária, vestimentas, costumes. Elas captam cada energia do que vêem pela frente, com os cinco sentidos muito atentos, interpretando sem parar.
Os momentos mais felizes que tenho da infância são os das viagens com meus pais, o nariz espalmado na janelinha do carro e do avião, com os olhos atentos no que estava por vir.

É como diz a Carol, tem MUITA COISA NESTE MUNDO que os filhos precisam ver. O Alaska por exemplo. Planejava ir até 2012, no máximo. Mas já decidi adiar a viagem alguns anos para que o Davi vá comigo e lembre mais tarde do que viu. Para entender a força e a beleza daquilo tudo. Se eu fosse sem ele, me arrependeria para o resto da vida. Certeza! É um dos lugares deste mundo que PRECISAMOS ver juntos, lado a lado, companheiros de viagem.
Lindo o texto do Pablo Buciarelli. Lindo o sonho de levar os filhos para a trilha inca. Linda a lucidez de saber o quanto isso é importante para a formação deles, para as lembranças de vida, para a arte de respirar o universo. Sejamos mais “estrangeiros” neste quesito. Em qualquer destino de viagem, é comum ver bebês colo, nos slings com os pais, felizes da vida, sem complicações. Há sempre uma minoria de brasileiros com seus pequenos. Acham “incômodo” viajar com crianças. É cultural.
Sejamos mais crianaestrada. Em qualquer idade. ;-)


Claro que é necessário mais tempo, mais paciência (afinal, crianças andam mais devagar para observarem TUDO no caminho e não perderem nada), e mais dedicação. Mas elas são infinitamente mais atentas do que nós aos detalhes, mais abertas ao novo, menos consumistas.
Viajar é uma das maneiras mais eficientes de educar, de ensinar ecologia, companheirismo, diferenças de mundo e respeito ao próximo. O cenário que muda diariamente, os diferentes idiomas, sotaques, moedas, culinária, vestimentas, costumes. Elas captam cada energia do que vêem pela frente, com os cinco sentidos muito atentos, interpretando sem parar.
Os momentos mais felizes que tenho da infância são os das viagens com meus pais, o nariz espalmado na janelinha do carro e do avião, com os olhos atentos no que estava por vir.
É como diz a Carol, tem MUITA COISA NESTE MUNDO que os filhos precisam ver. O Alaska por exemplo. Planejava ir até 2012, no máximo. Mas já decidi adiar a viagem alguns anos para que o Davi vá comigo e lembre mais tarde do que viu. Para entender a força e a beleza daquilo tudo. Se eu fosse sem ele, me arrependeria para o resto da vida. Certeza! É um dos lugares deste mundo que PRECISAMOS ver juntos, lado a lado, companheiros de viagem.
Lindo o texto do Pablo Buciarelli. Lindo o sonho de levar os filhos para a trilha inca. Linda a lucidez de saber o quanto isso é importante para a formação deles, para as lembranças de vida, para a arte de respirar o universo. Sejamos mais “estrangeiros” neste quesito. Em qualquer destino de viagem, é comum ver bebês colo, nos slings com os pais, felizes da vida, sem complicações. Há sempre uma minoria de brasileiros com seus pequenos. Acham “incômodo” viajar com crianças. É cultural.
Sejamos mais crianaestrada. Em qualquer idade. ;-)

segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Ó!
Coincidência (existe?), no mesmo dia que postei aqui o "crias em casa, provação", Pablo Buciarelli, de Sampa, escreveu no Extremos o texto "Eu, Manu e Caio na Trilha Inca". Clica pra ler. Viu só? Vale dar uma olhada na experiência do trio, que percorreu a mais tradicional trilha de acesso ao Machu Picchu. Ainda acho que vale mais Salcantay, menos gentes, mais roots, e a possibilidade de percorrer a cavalo a pior subida (vai a 4.600 de altitude). É uma passagem rápida e indolor, rs.
Destaco essa frase do texto do Pablo, que tem a ver com o que escrevi no post anterior:
"No ano de 2000, ao realizar o Caminho Inca pela primeira vez, no último trecho entre Wiñaywayna e Machu Picchu, saindo por volta das 5 horas da manhã, cruzei com um pai e seu filho nas costas. Isso me tocou de uma forma tão profunda, que não conseguia sossegar enquanto não voltasse para a região acompanhado dos meus dois "piolhentos". Certamente, hoje posso morrer feliz, pois o sonho mais inusitado que tinha em mente foi realizado."
Destaco essa frase do texto do Pablo, que tem a ver com o que escrevi no post anterior:
"No ano de 2000, ao realizar o Caminho Inca pela primeira vez, no último trecho entre Wiñaywayna e Machu Picchu, saindo por volta das 5 horas da manhã, cruzei com um pai e seu filho nas costas. Isso me tocou de uma forma tão profunda, que não conseguia sossegar enquanto não voltasse para a região acompanhado dos meus dois "piolhentos". Certamente, hoje posso morrer feliz, pois o sonho mais inusitado que tinha em mente foi realizado."
Parabéns e vamo que vamo!
POST EDITADO!
A Lú leu o texto do Paulo e destacou outros trechos. Segue:
POST EDITADO!
A Lú leu o texto do Paulo e destacou outros trechos. Segue:
"Saber viver a vida é o único legado que irei deixar para amigos e filhos. O estilo de vida que levo é o único investimento que faço, pois é certeza de retorno na educação dos meus filhos e na vivência que irei ter nessa vida."
"A sensação de evoluir no caminho rumo à Machu Picchu era de um grau enorme de emoção e satisfação. Chorei por diversas vezes sozinho e em silêncio. No ano de 2000, ao realizar o Caminho Inca pela primeira vez, no último trecho entre Wiñaywayna e Machu Picchu, saindo por volta das 5 horas da manhã, cruzei com um pai e seu filho nas costas. Isso me tocou de uma forma tão profunda, que não conseguia sossegar enquanto não voltasse para a região acompanhado dos meus dois "piolhentos". Certamente, hoje posso morrer feliz, pois o sonho mais inusitado que tinha em mente foi realizado."
- "Bem aventurados são aqueles que vivem para seus espíritos, e deixam na sua história de vida a marca de uma herança rica de valores para os seus queridos, sejam eles amigos, irmãos, pais, filhos, amantes, sejam eles apenas admiradores."(ESTE TRECHO AQUI MATOU A PAU)
Lú
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Crias em casa, provação
Um problema de viajar com criança é grana. Criança paga que nem adulto em qualquer lugar. Pra filho de jornalista com professor tem que planejar muito pra conseguir juntar e ficar uns poucos 20 dias, esticando bem, na trip. Dá pra economizar; usar barracas, fazer a própria comida, evitar centros muito urbanos e turísticos. Mas se vive muito bem com muito pouco, e quanto mais acostumar os pequenos com esse estilo de vida, no dia a dia, em casa, mais fácil fica levá-los a tiracolo pro mundo. No caso da viagem pra longe, a grande despesa são as passagens aéreas. Estar lá, se manter, é fácil, o difícil é ir. É a afirmação plena dos governos dizendo pra gente: "Seus trouxas! Metade do que vocês ganham com suor e batalha, é nosso!" Imposto é absurdo.
Se alguém precisar dicas sobre o percurso só pedir. É tranquilo. Se eu pudesse dar um conselho seria, DÊ UM JEITO de levá-los. Se eu pudesse voltar atrás teria vendido alguma coisa desnecessária de casa (temos tantas!!!), pedido aos avós de presente de Natal; feito bingo na escola. Ter menos pra viver mais. E se a gente começar agora, nesse exato momento, não consegue ver tudo. Desapega de pequenas coisas, de acumular tranqueiras, pra alcançar um bem maior: estar na estrada, só estar, sem querer chegar, curtindo o caminho... e educando os pequenos na prática.
Sempre melhor cria na estrada junto, mas cria em casa esperando também tem suas vantagens:
- Os pais podem exigir-se mais fisicamente, testando os próprios limites;
- Menos gente, menos diferenças de humor;
- E a saudade. Saudade alimenta a importância que o outro tem pra nós.
Só essas. Porque é milhão de vezes mais difícil pro mental. Saudade dói, e se dói! E a sensação de estar vivendo uma coisa maravilhosa, e querer que quem você mais ama esteja junto, é terrível quando não concretizada. Uma provação pra mente, uma mistura de arrependimento, com devia-ter-dado-um-jeito, com eles-precisavam-muito-ver-isso, com a incerteza de um dia poder voltar. A vida é assim.
Sem poder perder a chance de Peru e Bolívia, com pouquíssima grana, fomos nós, eles ficaram. Foi a primeira vez. Tanto tempo. Dezessete longos dias, caminhando dia e noite, com o coração apertado e uma certeza gigante de querer junto, de querer bem, de amor em sua plenitude. Amor sem tirar nem pôr.
Nem é preciso dizer sobre a vontade de voltar, nos exatos mesmos lugares, pra compartilhar os olhares infantis. E agora, a gente tá em casa. Em meio a uma das trilhas - Machu Picchu, por Salcantay, 5 dias e 4 noites- já fazíamos o planejamento de como seria na próxima, com as crias. É possível. É possível MESMO. Você tem que adequar o ritmo, e as condições (alugar cavalos por exemplo), ter um pouquinho mais de paciência, roupa quente e comida. O resto é resto. Aliás, o resto é imensidão.
Sofrimento é bom pra mostrar que a gente aguenta. E como. Temos uma força que desconhecemos, que só aparece quando exigida. Pero... pra evitar transtornos e desmoronamentos, lá pelo terceiro, quarto dia, cada vez que via família com criança, Denis, meu companheiro, me apontava algo no céu ou no outro lado pra desviar minha atenção. Sem chance. Instinto materno como um imã, e rola lágrima no rosto. Sem desespero. Só saudade, sabe?
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| Oi vida. |
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| Você não diria que seus filhos PRECISAM ver isso? |
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| Sim, eles precisam. |
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Eu choro de emoção, de alegria, de esperança de um mundo possível.
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| Família 1, franceses: pai, mãe, filha de uns 14, filho de uns 12. Se revezaram com os dois cavalos e com as oito pernas... |
Se alguém precisar dicas sobre o percurso só pedir. É tranquilo. Se eu pudesse dar um conselho seria, DÊ UM JEITO de levá-los. Se eu pudesse voltar atrás teria vendido alguma coisa desnecessária de casa (temos tantas!!!), pedido aos avós de presente de Natal; feito bingo na escola. Ter menos pra viver mais. E se a gente começar agora, nesse exato momento, não consegue ver tudo. Desapega de pequenas coisas, de acumular tranqueiras, pra alcançar um bem maior: estar na estrada, só estar, sem querer chegar, curtindo o caminho... e educando os pequenos na prática.
domingo, 19 de setembro de 2010
Aaaaahhhh, que saudade de postar!
Gente, eu (e a Carol também) estava com saudades de postar por aqui. Primeiramente, iriamos mudar de endereço mas vimos que ficar onde estávamos era melhor. A vida, às vezes, é assim mesmo, né? A gente precisa sair, ver o novo, ver o que serve, o que não serve, para depois mudar (ou não).
Nestes quatro meses teve tanta criaestrada. A própria Carol virou crianaestrada total. CAROL CADÊ AS FOTOS DE CRIAS PELA ESTRADA???? Vamos tirar o atraso. Vamos voltar aos sentimentos do dia. Vamos voltar aos textos, às fotos, à necessidade de se expressar, de respirar, de se agitar!
Estamos de volta. Mais do que nunca. Agora e sempre!
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Voltando!
Davi Antonio, 10; Joana Diel, 6; Sara Lee, 4; Ingo Möller, 36; Rafael Möller, 8.
Morro do Mirante, Mariscal, Santa Catarina. Inverno.
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